Título: A Previ tem outros desenquadramentos
Autor: Andrade, Renato
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/09/2009, Economia, p. B3
Diretor do fundo diz que ainda não sabe se poderá voltar a investir após mudanças nas regras
O diretor de Investimentos do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), Fábio Moser, revelou que a mudança nas regras do setor "no geral" enquadrou a fundação nos limites de aplicações em renda variável (títulos, ações e debêntures). "Mas, se ela (Previ) vai voltar a investir, ainda não dá para saber", disse.
Ele considerou também difícil o fundo aproveitar de imediato a oportunidade aberta pelo CMN e se lançar em investimentos no exterior.
"Com tantas oportunidades no Brasil, seria bem difícil começar no curto prazo investimentos no exterior", afirmou.
Por estar superexposta em aplicações em renda variável, a medida mais relevante para a Previ é a que trata da elevação do limite para esses investimentos dos atuais 50% para 70% do patrimônio.
Atualmente, a fundação tem cerca de 60% de seu patrimônio (R$ 127 bilhões) aplicado nesse segmento. A Previ chegou a fechar um acordo com a Secretaria de Previdência Complementar (SPC) com o comprometimento de se enquadrar à legislação até 2014.
"É preciso olhar os detalhes para ver se a Previ passará a estar enquadrada também nos sublimites", revelou.
Moser explica que o porcentual de 50% para ativos em renda variável é fixado apenas para as aplicações em ações listadas no Novo Mercado, ambiente de negociação na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) que exige melhores práticas de governança corporativa.
O limite, destacou Moser, diminuiu quando se trata de ações listadas em outros ambientes. O executivo citou o exemplo da Valepar, holding da mineradora Vale, uma companhia onde a fundação detém uma participação relevante e que não está nesse ambiente de negociação.
"A Previ, na verdade, tem vários desenquadramentos. O que sempre se fala é no desenquadramento geral, mas tem também os por segmentos", explicou. E completou: "Temos que olhar investimento um por um antes de afirmar se as regras já colocam a Previ enquadrada em todos os segmentos."
O diretor lembrou ainda que a fundação tinha dois impedimentos de aplicar no exterior: o primeiro era a legislação e o segundo, uma determinação de seu conselho de deliberativo. Com a mudança de regras, a Previ, para entrar nesse mercado, ainda dependeria de aval do conselho.
"Esse é um assunto que precisa ser muito bem discutido. Diria que é um tema para ser discutido ao longo do próximo ano", concluiu.