Título: Projetos no BNDES somam R$ 100 bilhões
Autor: Irany Tereza
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/03/2008, Economia, p. B1

A liberação de empréstimos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prevista para este ano é tão grande - R$ 80 bilhões, um recorde - que o banco terá de ¿fazer dinheiro¿ para cumprir o orçamento. Nos cálculos do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, faltam ainda entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões. Nada que tire o sono, garante. O banco tem também um arsenal de participações acionárias em carteira que pode ser transformado em recursos adicionais, entre outras alternativas de captação.

Em 2008, o banco de fomento injetará na economia 2,5 vezes o valor desembolsado no primeiro ano de Lula no governo. E pode mesmo superar a previsão. Coutinho acha cedo para rever projeções, mas revela que os projetos já aprovados, ou seja, na fila para a efetivação do financiamento, somam perto de R$ 100 bilhões.

Boa parte desse aumento deve-se ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a principal aposta do governo para firmar posição política e galgar preciosos degraus na escala de popularidade. Outro tanto é conseqüência do bom momento econômico, que tem elevado os investimentos privados. A isso tudo pode-se juntar um adicional dos incentivos do novo modelo de política industrial, já pronto e apenas à espera de divulgação.

Coutinho, um dos maiores especialistas da política industrial brasileira, foi um dos idealizadores do novo plano do governo. Mas refuta qualquer liderança no processo. ¿Faço parte de uma equipe.¿ E o que falta para o anúncio? A aprovação do Orçamento deste ano, parado no Congresso. Ele resiste a revelar detalhes do pacote, que terá caráter mais generalista, ao contrário do plano setorial de 2004, que não surtiu o efeito desejado.

Sob insistência, adianta que a indústria de bens de capital, setor que puxou o bom desempenho industrial no ano passado, terá um capítulo à parte. ¿O setor pode dar uma contribuição grande à oferta de máquinas e equipamentos para o crescimento do País e precisamos criar as condições para isso¿, declarou, reclamando da concorrência dos importados para os mesmos equipamentos fabricados no Brasil, reflexo da taxa de câmbio ¿exageradamente¿ valorizada.

A política industrial deve trazer novos instrumentos, mesmo transitórios, de proteção da indústria local e apoio à competitividade, neutralizando eventuais efeitos negativos do câmbio.

Quarto presidente do BNDES em pouco mais de cinco anos de governo Lula, Coutinho tem apenas dez meses de banco, mas é consenso no meio financeiro e empresarial que é o mais influente representante do banco no governo. Transita nos gabinetes mais importantes de Brasília e há mais de duas décadas convive com os ¿caciques¿ petistas, incluindo Lula. Discreto, não gosta de falar a respeito. E atribui o bom momento à sintonia da equipe econômica.

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