Título: Situação insólita: um BC sem presidente
Autor: Modé, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/03/2008, Economia, p. B18

O Japão enfrenta neste momento um problema que, para muitos analistas, parece insólito, digno de um livro de realismo fantástico latino-americano: o país corre o risco de ficar sem presidente de banco central bem no meio da turbulência que chacoalha os mercados financeiros globais.

O mandato de cinco anos do atual presidente do Banco do Japão, Toshihiko Fukui, termina na quarta-feira. O primeiro-ministro, Yasuo Fukuda, indicou um ex-funcionário de carreira do Ministério das Finanças, Toshiro Muto, para ocupar o cargo. Seu nome, porém, foi rejeitado pela Câmara Alta (o equivalente ao Senado no Brasil), que é controlada pela oposição. Na Câmara Baixa (ou Câmara dos Deputados), onde o governo detém maioria absoluta, Muto foi aprovado.

O impasse deve perdurar ao menos até segunda-feira, quando o governo, segundo fontes não identificadas citadas pela imprensa japonesa, deve indicar outro nome. O economista-chefe do HSBC no país, Seiji Shiraishi, não está preocupado. ¿Na prática, o Banco do Japão não enfrenta tantas turbulências assim¿, diz ele.

Muitos discordam. Na sexta-feira, por exemplo, o jornal `The Japan Times¿, que é lido basicamente por estrangeiros, escreveu um editorial em que pede que oposição e situação ajam ¿sabiamente¿. ¿Um lugar vago no topo do Banco do Japão deve ser evitado a qualquer custo¿, diz o texto.

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