Título: Estado atrapalha o PIB
Autor: Chiara , Márcia De
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/03/2008, Economia, p. B10

`Não acredito em sustentabilidade com o Estado inchando da forma como está atualmente, diz ele

O ritmo de crescimento Produto Interno Bruto (PIB), de 5,4% no ano passado, não é sustentável, segundo avalia o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados. Para este ano, ele projeta uma taxa menor, entre 4,5% e 4,6% para o PIB.

Entre os motivos apontados pelo economista para essa desaceleração estão a redução das exportações líquidas, a perda de fôlego do consumo das famílias e do crédito. Além disso, Mendonça de Barros ressalta que uma das travas para o crescimento é o tamanho do Estado. ¿Não acredito em sustentabilidade com o Estado inchando da forma como está atualmente.¿ A seguir os principais trechos da entrevista.

O desempenho do PIB de 5,4% em 2007 se sustentará neste ano?

Avaliamos que o desempenho deste ano será inferior.Projetamos algo entre 4,5% e 4,6%. Teremos um bom desempenho, mas não nesse nível, acima de 5%.

Por quê?

Por três motivos. O primeiro é que as exportações líquida vão cair muito rápido, o que já está aparecendo no saldo comercial.

Mas e o pacote cambial?

Sou completamente cético de que essas medidas possam ter resultado. Como trabalho com essa hipótese, não tenho dúvida de que as exportações líquidas vão cair rapidamente e o saldo comercial também.

E os outros fatores?

Do ponto de vista doméstico, achamos que o desempenho do consumo das famílias deverá ser um pouco mais lento em relação o registrado em 2007. No último trimestre, a taxa anualizada do consumo das famílias foi de 8,6% e isso definitivamente não é sustentável. Achamos que esse ritmo não vai se manter por três razões: em primeiro lugar, o aumento muito rápido no custo da alimentação, que já ocorreu, come muito a renda e a capacidade de compra das camadas mais baixas. A outra razão é que, ao longo do tempo, o crédito ao consumidor vai desacelerar. O volume de crédito será crescente, mas a velocidade da expansão será menor, isso porque o custo do dinheiro já subiu. Esse é o resultado mais direto da crise internacional. Além disso, em algumas áreas existe o IOF, que não tinha antes. Também estamos vendo a redução dos prazos máximos de financiamentos. Há um fator que não é certo, mas pode afetar o consumo, que é a eventual possibilidade de aumento dos juros ao longo do ano.

Por causa das turbulências?

Muito mais pela aceleração da demanda e os efeitos sobre a inflação. Temporariamente a inflação está mais tranqüila por causa da safra, mas os preços de commodities estão muito elevados e isso vai se traduzir em mais inflação. Finalmente, como o mercado está aquecido, os salários estão aumentando, o que é bom para o consumidor, mas ruim para o custo de produção. O preços dos serviços estão aumentando devagar, mas firmemente. Quando se soma tudo isso, há razões para se ter menos crescimento. Eu adicionaria mais um fator que não está fazendo um efeito muito grande hoje, mas fará mais para frente. A turbulência lá fora está provocando uma contração de crédito, que é muito forte lá fora, mas que aparece em outros mercados. Para acelerar o crescimento temos de investir mais, mas temos obstáculos. Não acredito em sustentabilidade com o Estado inchando da forma como está. Uma das indicações que se tira é que o PIB está bem, porém o desempenho dos impostos está melhor. A preços básicos, o PIB cresceu 4,8% e os impostos aumentaram 9,1%. Como os impostos não são gastos com a melhor eficiência possível, isso é uma trava ao crescimento.

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