Título: Brasileira foi testemunha-chave em caso que derrubou governador
Autor: Viegas, Camila
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/03/2008, Internacional, p. A16

Andréia revelou como operava empresa fantasma usada por Eliot Spitzer, de NY, para pagar prostitutas

A brasileira Andréia Schwartz, de 33 anos, foi apontada ontem como a testemunha-chave que levou à descoberta do vínculo do governador de Nova York, Eliot Spitzer, com uma rede de prostituição de luxo. Spitzer renunciou na quarta-feira após reconhecer ser cliente do Emperors VIP Club, cujas garotas cobravam de US$ 1 mil até US$ 5,5 mil por hora. O agora ex-governador teria utilizado a rede de serviço oito vezes em oito meses e gastado US$ 80 mil com os programas.

Segundo o tablóide The New York Post, a capixaba, condenada em fevereiro por comandar um serviço de prostituição, foi informante na investigação federal. Segundo o jornal, Andréia esclareceu o método utilizado por Spitzer para remunerar a Emperors Club VIP. O governador fazia depósitos na conta de uma empresa fantasma, a QAT Consultoria.

Os promotores ¿estavam investigando os milhares de dólares enviados por Spitzer para a QAT, mas até aquele ponto (até conversar com Andréia) eles não tinham notado que a QAT e a Emperors eram a mesma entidade¿, disse o Post.

Segundo o jornal, Andréia havia trabalhado para a Emperors antes de abrir sua própria agência de prostituição, com sede em seu apartamento na Rua 58, a uma quadra do Central Park, uma das áreas mais caras da cidade.

Andréia tinha sido condenada a 18 meses por explorar prostituição, posse de drogas (papelotes de cocaína foram encontrados em seu apartamento) e lavagem de dinheiro. Um acordo com a promotoria impediu que ela pudesse ser sentenciada à prisão perpétua por tráfico de drogas.

A colaboração com a Justiça que permitiu o desmantelamento da rede mantida pelo Emperors Club VIP veio após novo acordo com a promotoria. Por meio dele, Andréia perde o apartamento, avaliado em US$ 1,2 milhão, e cerca de US$ 300 mil de sua conta bancária. Mas terá direito a manter US$ 150 mil e a retornar, deportada, para o Brasil.

Apesar de o Post ter afirmado que Andréia havia sido deportada na quarta-feira, mesmo dia da renúncia de Spitzer, o consulado brasileiro afirmou que ela ainda espera pelo fim do processo de deportação.

Na quarta-feira, ela foi levada ao consulado para que fosse emitido um novo documento de viagem, uma vez que seu passaporte estava vencido.

Diferentemente do que foi publicado pelo jornal New York Post, ela não estava algemada quando foi ao consulado e foi acompanhada por dois agentes da Imigração e não agentes federais - que fazem parte da polícia civil.

Procurado pelo Estado em Nova York, o advogado de Andréia, Anthony Lombardino, disse que o caso de Andréia estava encerrado e portanto não havia mais comentários a fazer.

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