Título: Investigado, presidente do CNAS pede afastamento
Autor: Mendes, Vannildo
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/03/2008, Nacional, p. A6

PF intimará Iung e diretores de mais de 60 entidades a depor na semana que vem no inquérito sobre esquema de títulos falsos de filantropia

Investigado pela Polícia Federal como suspeito de envolvimento em esquema de fraudes na concessão de títulos de filantropia, o presidente do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), Sílvio Iung, pediu ontem afastamento do cargo. Ele será intimado na próxima semana a depor no inquérito da PF que investiga suposta quadrilha, descoberta pela Operação Fariseu. Em nota divulgada ontem, o CNAS informa que a vice-presidente do órgão, conselheira Simone Albuquerque, assume interinamente o cargo.

O CNAS também anunciou o cancelamento da reunião plenária mensal prevista para a próxima semana. Até abril o órgão se dedicará à revisão dos processos aprovados nas últimas sessões, que foram comandadas por Iung e tiveram a participação de conselheiros presos na operação. A nota do conselho informa, por fim, que a União Brasileira de Cegos substituiu seu representante no conselho, preso pela PF.

INTIMAÇÃO

Além de Iung, dirigentes de mais de 60 entidades das áreas de saúde e educação serão intimados a depor. A PF e o Ministério Público dizem ter indícios fortes de que todas usam títulos de filantropia falsos para não pagar impostos e a tendência é que seus dirigentes sejam indiciados por corrupção, peculato e formação de quadrilha, como as seis pessoas presas anteontem.

A Operação Fariseu prendeu o ex-presidente do CNAS Carlos Ajur Cardoso Costa, os conselheiros Euclides da Silva Machado e Márcio José Ferreira, os advogados Luiz Vicente Dutra e Ricardo Viana Rocha e a secretária de Dutra, Adriana Schran. Os advogados são suspeitos de intermediar os contatos entre o conselho e entidades interessadas em comprar certificados.

Diálogos interceptados com autorização judicial mostram conselheiros combinando voto com Dutra e Rocha. Adriana ditaria votos e pareceres técnicos. A PF e o Ministério Público estudam pedir a prisão preventiva para evitar que dirigentes fujam do País ou obstruam a investigação. Há entidades de todas as regiões, mas a maior parte é de São Paulo. Algumas, segundo a polícia, seriam franquias de importante rede de ensino privado.

Com 18 membros do governo e de entidades sociais,o CNAS é responsável pela concessão dos certificados de Entidade Beneficente e de Assistência Social (Cebas). Com o título de filantrópica, as instituições ficam isentas de impostos e contribuições sociais. A fraude teria causado rombo de R$ 4 bilhões aos cofres públicos nos últimos quatro anos.

Acusado de ser um dos cabeças do esquema, Euclides Machado, segundo as investigações, encarregava-se de aliciar conselheiros e monitorar a pauta do conselho para pôr os processos de seu interesse em votação quando tinha certeza da aprovação. Sua defesa pediu cópia da investigação para formalizar o pedido de soltura.

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