Título: Sindicalizados da CUT terão crédito da Caixa
Autor: Brito, Agnaldo
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/03/2008, Economia, p. B15

Linha especial será negociada com 301 sindicatos da CUT em São Paulo; acordo com uma central é inédito

A Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP) será a primeira central sindical do País a assinar um programa que dará acesso a financiamentos habitacionais com condições especiais aos trabalhadores sindicalizados. A direção da Caixa Econômica Federal assina na próxima segunda-feira o primeiro convênio desse tipo no País.

Segundo a CUT, trabalhadores filiados a 301 sindicatos do Estado de São Paulo serão beneficiados com o convênio. A base da Central em São Paulo atinge 2,7 milhões de trabalhadores, mas apenas 977 mil sindicalizados poderão ter condições especiais de financiamento. ¿A idéia é que a Caixa atenda todos os trabalhadores, mas os sindicalizados terão condições especiais¿, disse Edilson de Paula Oliveira, presidente da CUT estadual. Para entidade sindical, será também uma forma de estimular a sindicalização.

A estimativa da central é a de que pelo menos 10% dos sindicalizados (cerca de 97 mil trabalhadores) consigam financiamentos habitacionais por meio desse convênio. As condições básicas ainda não foram fechadas. O vice-presidente de Atendimento e Distribuição da Caixa, Carlos Borges, e o superintendente nacional da instituição, Maurício Antônio Quarezemin, darão os detalhes da linha de crédito na segunda-feira.

Uma das condições impostas pela CUT foi a de criar linhas que garantam a concessão de financiamento habitacional para trabalhadores com renda inferior a R$ 1 mil por mês. ¿Hoje esse grupo está fora do sistema. Os 301 sindicatos farão um levantamento na base para saber qual o contingente de trabalhadores que estão nessa faixa e estão dispostos a comprar um imóvel¿, disse Oliveira.

O objetivo é conseguir da Caixa condições especiais de financiamento, como juros reduzidos e prazo alongado de pagamento. ¿A idéia é que sejam financiamentos para trabalhadores que podem comprometer R$ 200 ou R$ 300 da renda.¿ O Sindicato dos Químicos de São Paulo e Taboão da Serra assinará o primeiro convênio baseado no acordo fechado entre CUT e Caixa. As condições também serão apresentadas na segunda-feira.

NOVAS DEMANDAS

A decisão da central de buscar um acordo como esse faz parte de uma mudança no foco de atuação. Segundo Edilson de Paula, nos últimos quatro anos 96% das categorias profissionais obtiveram reajuste salarial acima da inflação no período. Além disso, alguns sindicatos negociaram acordos que garantem remuneração extra, como o 14º e até 16º salário, com a distribuição de lucros e resultados. ¿Achamos que, com os ganhos salariais obtidos nos últimos anos, precisávamos avançar para outros temas sociais, como o acesso à moradia. O acordo com a Caixa decorre disso.¿

Ele acredita que o passo dado pela CUT estadual de São Paulo deverá ser seguido por outras centrais sindicais do País. A direção da CUT nacional também avalia um acordo semelhante para todo o País.

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