Título: País está tranqüilo, mas olhando tudo com lupa
Autor: Fadel, Evandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/03/2008, Economia, p. B5

Lula diz que recessão nos Estados Unidos afeta todos os países e é preciso ficar atento para evitar a repetição de crises que o Brasil já viveu

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Foz do Iguaçu (PR), que uma recessão nos Estados Unidos preocupa e causa problemas para todos os países, mas garantiu que o Brasil ¿está tranqüilo¿ para enfrentá-los.

¿O Brasil diversificou muito as suas importações e hoje não depende apenas de um país nem de dois¿, afirmou.

De acordo com o presidente, o governo está atento às turbulências nos mercados financeiros globais e considerou que elas não podem ser vistas como coisas ¿tão anormais¿.

¿O Brasil está com muita solidez, mas, obviamente, temos que ter sempre cuidado porque tivemos outras experiências (de crises) e não queremos que se repitam¿, salientou.

Para o presidente, na questão das turbulências nas bolsas de valores e nos mercados financeiros em geral, é preciso saber que há uma crise imobiliária nos Estados Unidos que atinge o sistema financeiro.

¿Nós estamos olhando com muita cautela porque não queremos que uma crise americana, que não fomos nós que causamos, venha a causar uma crise no Brasil¿, acentuou. ¿Estamos olhando o todo tempo, com lupa.¿

Ainda se referindo à crise americana, Lula voltou a dizer que o Brasil está ¿tranqüilo¿, mas acompanhando tudo.

COMBUSTÍVEIS

Perguntado, o presidente tratou logo de descartar qualquer possibilidade de reajuste nos combustíveis em razão da queda do preço do petróleo. ¿Se nós não aumentamos a gasolina quando o barril de petróleo chegou a US$ 110, agora que ele caiu por que haveríamos de aumentar?¿ comentou.

Lula lembrou que a última vez em que houve aumento dos combustíveis foi em 2005, quando o petróleo chegou a US$ 65. ¿Não vamos aumentar, essa discussão não existe no governo

ATAQUES

O presidente aproveitou para criticar os competidores internacionais, especialmente os considerados grandes, durante discurso em Foz do Iguaçu (PR), na assinatura de um protocolo para análise de viabilidade técnica da construção de um alcoolduto de 920 quilômetros entre Campo Grande (MS) e o Porto de Paranaguá.

¿Temos que ser cada vez mais profissionais e ter cartão de credibilidade social para fazer frente às intrigas que estão fazendo contra o Brasil no exterior¿, disse Lula.

Segundo o presidente, quando um país ainda é insignificante do ponto de vista da balança comercial, ninguém se incomoda. Mas ¿quando o país passa a ser competitivo com as grandes potências do mundo, nós começamos a ser vítimas de ataques¿, afirmou.

¿É o que acontece agora na área de biocombustíveis, porque todo mundo sabe que o Brasil será invencível nessa disputa, porque temos terra, água, tecnologia e 30 anos de acúmulo de conhecimento¿, acrescentou Lula.

Demonstrando irritação, ele disse que os Estados Unidos e a União Européia não colocam nenhuma barreira na questão do petróleo, mas sobretaxam o álcool brasileiro. ¿Eles que são os defensores do livre comércio, desde que seja para vender os produtos deles¿, ressaltou.

Segundo Lula, os dois argumentos mais repetidos são o de que a produção de álcool utiliza trabalho escravo e tira espaço para a produção de alimentos. Mas, de acordo com o presidente, o trabalho na cana-de-açúcar não é mais penoso que o de trabalhadores de minas de carvão que fizeram da Europa uma potência.

Segundo ele, o Brasil tem apostado na produtividade, o que demonstra que não há risco para a produção de alimentos.

Retomando as comparações futebolísticas, Lula ressaltou que o Brasil não é mais um jogador perna-de-pau. ¿O Brasil está virando craque em muita coisa¿, afirmou. ¿Por isso, precisamos tomar cuidado com os discursos que fazemos aqui dentro porque terão repercussão no exterior.¿

Segundo Lula, os bancos internacionais viviam dando palpites sobre as finanças do Brasil. ¿Jovens de 30 anos, 29 anos, 18 anos, tudo especialista em finanças internacionais¿, destacou.

¿Agora, quase todos eles levaram uma bordoada com a crise imobiliária americana, passaram tanto tempo dando palpite sobre países pobres que não cuidaram de si próprios.¿

FRASES

Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República

¿Nós estamos olhando tudo com muita cautela porque não queremos que uma crise americana, que não fomos nós que causamos, venha a causar uma crise no Brasil¿

¿Temos que ser cada vez mais profissionais e ter cartão de credibilidade social para fazer frente às intrigas que estão fazendo contra o Brasil no exterior¿

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