Título: Brasil pede que os EUA fiquem longe de conselho
Autor: Mello, Patrícia Campos
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/03/2008, Nacional, p. A9
Jobim afirma a secretário que iniciativa encabeçada pelos brasileiros é exclusivamente sul-americana
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem ao secretário de Defesa americano que a melhor maneira de os Estados Unidos colaborarem com o conselho de defesa sul-americano é ¿manter distância¿. O secretário de Defesa dos EUA, Bob Gates, reuniu-se por 40 minutos com Jobim e perguntou qual a melhor maneira de os americanos ajudarem no conselho. ¿Eu disse a ele que a melhor maneira de os EUA ajudarem era assistir, ficar à distância, porque estamos fazendo algo claramente sul-americano¿, disse Jobim.
O ministro da Defesa está em Washington divulgando a idéia do Conselho de Defesa sul-americano, que teria como objetivo traçar uma política de defesa comum para a região e desenvolver indústrias bélicas integradas.
Ele esteve também com a secretária de Estado, Condoleezza Rice, que teria achado a iniciativa ¿interessante para o continente¿, segundo relatou Jobim. ¿Viemos apenas informar nosso parceiro internacional sobre um assunto claramente sul-americano¿, disse o ministro.
Às vésperas de iniciar seu giro pela América do Sul para vender a idéia o conselho de defesa, Jobim fez questão de ser firme com o Departamento de Estado, de olho no público sul-americano. Ele anunciou que sua primeira parada será em Caracas, onde estará com o presidente Hugo Chávez no dia 14 de abril. Segundo uma pessoa que acompanhou as reuniões, o ministro não foi aos EUA pedir a bênção, mas só informar o formato do conselho e deixar claro que se trata de um assunto exclusivamente sul-americano.
Os Estados Unidos, por sua vez, não desgostam da idéia de um conselho de defesa liderado pelo Brasil, que representaria uma neutralização ao militarismo de Chávez na região, por causa da posição mais equilibrada do governo brasileiro.
O ministro afirmou ter conversado com os secretários americanos sobre o incidente envolvendo Colômbia e Equador, mas não entrou em detalhes, limitando-se a comentar: ¿Quem diz que o governo do Equador sabia que as Farc estavam lá em seu território é porque não conhece a região; quem conhece sabe que lá não se enxerga coisa nenhuma¿. Em reuniões no Departamento de Estado e no Pentágono, Jobim disse ter abordado a reivindicação brasileira para transferência de tecnologia na venda de armamentos.
De manhã, depois da reunião com Condoleezza, Jobim falou sobre o conselho para uma platéia com representantes do Comando Sul das forças armadas americanas, do Departamento de Estado e outros, no Centro de Estudos Estratégicos Internacionais. O discurso teve também direito a gafes. À certa altura, Nelson Jobim chamou o secretário da defesa, Bob Gates, de Bill Gates (milionário do software).
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