Título: Fed corta juro em 0,75 ponto e bolsas globais recuperam o fôlego
Autor: Pereira, Renée
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/03/2008, Economia, p. B1
Balanços do Goldman Sachs e do Lehman Brothers menos ruins que o esperado ajudaram a animar o mercado
Renée Pereira
O corte dos juros americanos em 0,75 ponto para 2,25% ao ano e a divulgação do balanço de algumas instituições financeiras devolveram o ânimo aos investidores ontem, depois do pessimismo de segunda-feira. As bolsas mundiais fecharam o dia em forte alta, as commodities voltaram a se valorizar e o dólar ganhou força ante o euro. A moeda européia, que vinha de recordes consecutivos de alta, terminou o dia com queda 1,05%, cotado em US$ 1,5621.
Entenda a crise nos EUA
Em Wall Street, o índice S&P 100, que inclui as maiores companhias dos Estados Unidos, teve a maior valorização no pregão, de 4,24%. Em seguida, ficou o Nasdaq, com alta de 4,19%, e o Dow Jones, 3,51%. O resultado diminuiu o prejuízo das bolsas americanas no ano para 9,77%, 14,24% e 6,57%, respectivamente. Por aqui, o desempenho não foi diferente. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou Nova York e subiu 3,2%, para 61.932 pontos. Com isso, as perdas de 2008 caíram para 3,06%.
O bom humor começou logo no início da manhã, com os balanços do Goldman Sachs e do Lehman Brothers referentes ao 1º trimestre fiscal do ano, terminado em 29 de fevereiro. Apesar da queda superior a 50% nos lucros das duas instituições, o mercado reagiu bem. Os analistas esperavam resultado muito pior que o apresentado, destacou o economista da Modal Asset, Alexandre Póvoa.
A decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) foi divulgada no meio da tarde e, embora tenha contrariado uma grande massa de analistas que apostava no corte de 1 ponto porcentual nos juros, deu mais fôlego ao mercado acionário. O corte de 0,75 ponto porcentual foi o sexto consecutivo, desde setembro do ano passado. Com isso, a taxa de juro real (descontada inflação) ficou negativa em quase 2%.
Além disso, o Fed promoveu corte de 0,75 ponto na taxa de redesconto, que havia sido reduzida em 0,5 ponto no domingo. Ao diminuir essa taxa, o BC americano barateou ainda mais sua linha de financiamento aos bancos, que passam por momentos ainda mais delicados depois do colapso do Bear Stearns.
O comunicado após a reunião deixou dúvidas, porém, em relação ao futuro das taxas americanas. Ao mesmo tempo que demonstrou preocupação com a crise financeira e enfraquecimento da economia, o Fed também mostrou desconforto em relação à inflação.
O economista do Banif Investment Bank, Marco Maciel, está no grupo que aposta em novos cortes em abril e junho. Ele acredita que o cenário de deterioração do segmento financeiro e de crédito no EUA, redução das pressões inflacionárias e da atividade econômica podem levar o Fed a promover dois novos cortes na taxa, de 0,5 e 0,25 ponto porcentual.
Outros especialistas acreditam que a votação de dois dirigentes a favor de redução menor que 0,75 ponto pode significar uma paralisação no curto prazo. Isso daria tempo para o Fed avaliar os efeitos dos últimos cortes na economia. O problema é que todo o estímulo dado até agora não deve aparecer de uma hora para outra na atividade econômica.
A expectativa é que os efeitos apenas comecem a dar algum sinal no segundo semestre, mais especificamente no terceiro trimestre, destaca o economista da corretora López León, Flávio Serrano. No curto prazo, diz ele, os números continuarão fracos e ditando o humor do mercado. COLABOROU CLAUDIA VIOLANTE
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