Título: Petrobrás quer captar US$ 5 bi este ano, e crise pode dificultar
Autor: Pamplona, Nicola ; Farid, Jacqueline
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/03/2008, Economia, p. B6

Para Gabrielli, aversão ao risco nos mercados globais pode prejudicar financiamentos

Nicola Pamplona e Jacqueline Farid, RIO

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, disse ontem que a crise financeira nos Estados Unidos não afetará o plano de investimentos da companhia, mas deve criar alguma dificuldade na busca por financiamentos. A Petrobrás ainda planeja captar US$ 5 bilhões este ano e, segundo Gabrielli, a aversão ao risco nos mercados globais pode atrapalhar os planos. Para o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a crise também não deve prejudicar a atração de investimentos para o setor elétrico brasileiro.

¿É evidente que precisamos acompanhar com detalhes o que está acontecendo. Ela (a crise) pode afetar a liquidez do mercado¿, disse Gabrielli, em entrevista antes de participar de seminário no Rio. Ele afirmou, porém, que a companhia tem opções para custear seus investimentos, como, por exemplo, o uso de capital próprio. ¿Nossa diretoria financeira terá de fazer um ajuste mais fino¿, comentou o executivo.

Segundo Gabrielli, o plano estratégico da empresa conta com uma geração de caixa de US$ 104,4 bilhões até 2012. O cálculo foi feito com o barril de petróleo a US$ 35 por barril. Ou seja, cada dólar acima disso representa ganho adicional para a empresa. O plano de investimentos, cuja revisão anual será divulgada no início do segundo semestre, soma US$ 112,4 bilhões no período. O executivo admitiu que a extensão da crise americana, que levou o tradicional Banco Bear Sterns à bancarrota, o surpreendeu.

Pela manhã, em solenidade na sede da Transpetro, o ministro Edison Lobão já havia demonstrado otimismo com o nível de vulnerabilidade do setor energético brasileiro diante da crise. ¿Os economistas dizem que nenhum país ficará imune à crise nos Estados Unidos, mas no que diz respeito a energia e petróleo não haverá repercussão no Brasil¿, afirmou, acrescentando que ¿ninguém deterá o Brasil, é uma nação que se destaca¿.

Links Patrocinados