Título: Ministério quer bolsa para doentes
Autor: Leite, Fabiane
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/03/2008, Vida&, p. A17

Saúde diz que concessão do Bolsa-Família poderá ser condicionada à adesão do paciente ao tratamento

O Ministério da Saúde discute com o Desenvolvimento Social e Combate à Fome condições para que portadores de tuberculose possam receber o Bolsa-Família, informou ao Estado Draurio Barreira, coordenador do programa nacional de combate à doença. Segundo ele, a idéia é que o benefício, que hoje atende 11 milhões de famílias em situação de pobreza, seja associado à ampliação do diagnóstico, à adesão ao tratamento e à taxa de cura.

'Essa é uma decisão delicada por duas razões: a primeira porque não podemos correr o risco de aumentar a discriminação e o estigma ligados aos doentes com tuberculose, associando-os automaticamente a um benefício social. E, segundo, temos de garantir formas de benefícios que estimulem a cura e não a permanência da doença, sob pena do benefício ser um desestímulo à cura', disse Barreira. Segundo ele, o benefício, cujo valor atualmente varia entre R$ 18 e R$ 172, só deverá ser ofertado aos pacientes após as eleições municipais, em outubro, para evitar acusações de uso eleitoral. Hoje, o programa beneficia famílias que atendem condicionantes nas áreas de educação e saúde.

Atualmente, o Brasil é um dos 22 países com maior número de doentes de tuberculose - está em 16º lugar, apesar de a doença ter cura e o País oferecer tratamento gratuito.

É consenso que determinantes sociais, como falta de moradia e alimentação adequadas , têm direta relação com os cerca de 80 mil novos casos registrados por ano no Brasil. A taxa de cura é de apenas 77%, enquanto o ideal seria 85%, e o índice de abandono do tratamento é ainda alto: 13%, enquanto o esperado era 5%. O maior risco do descontrole da doença são as formas resistentes da tuberculose, que podem não ter cura.

O ministério realizou ontem evento em razão do Dia Mundial de Combate à doença na favela da Rocinha, no Rio, onde a estratégia de tratamento supervisionado, em que o paciente toma o remédio no posto de saúde, resultou em taxas de cura de 88%. O Rio de Janeiro é o Estado com o maior número de casos do País, com a média de 12 mil casos novos por ano.

POSTO SEM JANELAS

Em São Paulo, segundo Estado que mais notifica casos - cerca de 8 mil no ano passado -, a prefeitura de São Vicente, na Baixada Santista, um dos locais mais afetados (329 novos doentes em 2007), atende pacientes em um posto de saúde que não tem janelas no centro da cidade. A tuberculose é transmitida pelo ar, por meio de gotículas de saliva, e ambientes sem circulação natural do ar são os mais propícios para contaminação.

A situação, segundo o Conselho Municipal de Saúde da cidade, coloca em risco trabalhadores da área da saúde e outros doentes atendidos no local, como os de hanseníase. 'Não há janelas, só uma porta para rua, daquelas de bar', diz Elisabete Figueiredo, de 45 anos, integrante do conselho e portadora da tuberculose. A prefeitura informa que em breve o serviço será removido para um imóvel adequado.

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