Título: Presidente do PSDB diz que FHC e Serra darão apoio a Alckmin
Autor: Amorim, Silvia
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/03/2008, Nacional, p. A7
Sérgio Guerra afirma que aliança entre tucanos e democratas só deve acontecer no segundo turno
Silvia Amorim
Depois de um dia de reuniões anteontem em São Paulo para solucionar a crise no PSDB paulista, dividido entre a candidatura própria à prefeitura paulistana e o apoio à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM), o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE), disse ter obtido das duas principais lideranças do tucanato, o governador José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o compromisso de não prolongar mais a sangria interna e de engajamento total na candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin. Serra e FHC sempre foram os maiores entusiastas da tese de apoio à reeleição de Kassab.
O resultado das conversas já podia ser visto ontem em Brasília em declarações do próprio senador. ¿O quadro está desenhado. Em São Paulo haverá dois candidatos no primeiro turno: Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab¿, afirmou. Já Serra preferiu o silêncio sobre o assunto. ¿Não vou entrar nisso¿, respondeu, ao ser questionado sobre a reunião com o senador.
Guerra desembarcou em São Paulo na segunda-feira, a pedido de aliados de Alckmin, depois de uma semana turbulenta na disputa entre serristas e alckmistas. Escalado para apaziguar os dois lados, o senador falou, separadamente, com o ex-governador, o governador e FHC. Diferentemente do que ocorreu em encontros anteriores, o senador ouviu de Serra que a manutenção da aliança com o DEM está praticamente enterrada. Ele afirmou ainda que, como homem de partido, estará no palanque do antecessor se assim decidir o PSDB.
No mesmo dia, em conversa com o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal, um dos articuladores da postulação de Alckmin, FHC considerou a candidatura própria um fato consumado e também garantiu que fará campanha para o tucano.
ALIANÇAS
Preocupado com a demora na definição sobre a candidatura própria, Alckmin pediu a Guerra que seja fixada uma data para o partido se manifestar em São Paulo. Ele teme que esse atraso prejudique a costura das alianças e sugere um prazo até o fim de abril. ¿Quanto mais rápido se resolver isso, (mais cedo) você vai para o que interessa para o povo¿, afirmou o ex-governador ontem, após dar palestra em uma universidade de São Paulo.
Apesar da disputa interna se arrastar há três meses, o PSDB municipal não se pronunciou até agora. Para alckmistas, o silêncio é uma estratégia do grupo de Serra para enfraquecer a candidatura de Alckmin. Na semana passada, antigos aliados do PSDB em São Paulo, como PTB e PPS, já ameaçavam lançar candidatos próprios diante da indefinição tucana.
O racha no PSDB ficará ainda mais visível amanhã. No mesmo horário, às 19 horas, acontecerão um ato em apoio à candidatura própria em São Paulo e uma palestra de FHC promovida pelo Diretório Estadual. Ao primeiro deverão comparecer em peso os aliados de Alckmin. Na palestra, organizada para arrecadar recursos para a compra da sede do PSDB paulista, é esperada a cúpula do tucanato e o que os alckmistas chamam de ¿turma do holerite¿ - os correligionários que têm cargo na gestão Kassab. COLABOROU ROBERTO ALMEIDA
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