Título: Evo enfrenta a guerra do óleo
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/03/2008, Economia, p. B3

Manifestantes fazem protesto contra veto à exportação

EFE

Associações de caminhoneiros e produtores de soja ocuparam ontem postos aduaneiros em quatro cidades bolivianas em protesto contra decreto do governo que proíbe, temporariamente, as exportações de óleo comestível. O mais afetado é o Departamento de Santa Cruz, único produtor de soja e maior produtor de óleo do país, além de ser opositor ferrenho do governo de Evo Morales.

Herland Melgar, dirigente de uma das associações, disse que, além de Santa Cruz, os postos aduaneiros de Cochabamba, Puerto Suárez (fronteira com o Brasil) e Yacuiba (fronteira com a Argentina) permaneceriam ocupados o dia todo e, se o governo não recuar, os protestos continuarão com bloqueios de estradas e fronteiras.

Os caminhoneiros se aliaram às indústrias de óleo e aos produtores de soja diante do risco de que a proibição atinja toda a cadeia produtiva e chegue até eles. Irredutível, o governo afirma que só anulará o decreto se os fabricantes de óleo baixarem os preços.

O Executivo afirma que os recentes aumentos do produto estão bem acima da cotação internacional de soja e têm o objetivo de prejudicar politicamente a gestão de Evo, que enfrenta pressões inflacionárias, e ganhar dinheiro ¿às custas da economia popular¿.

A ministra de Desenvolvimento Agropecuário, Susasna Rivero, pediu aos caminhoneiros e produtores que terminem o protesto com a promessa de comprar, para uso interno, a soja que as fábricas deixarem de comprar. O vice-ministro dos Transportes, José Kinn, acrescentou que outra parte poderia ser vendida à Venezuela.

Melgar disse que 4.500 caminhoneiros estão parados desde que o decreto foi firmado, dia 19, e os prejuízos de cada um deles é de US$ 200 diários. Já o prejuízo das indústrias de óleo e dos produtores de soja deve chegar a US$ 500 milhões neste ano, além da perda de 300 mil empregos e dos mercados importadores.

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