Título: Petrobrás e PDVSA: um passo a mais para acordo
Autor: Lacerda, Ângela; Nossa, Leonêncio
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/03/2008, Economia, p. B8

Documento assinado ontem no Recife ainda não cria a refinaria

Ainda não foi dessa vez que Brasil e Venezuela firmaram o contrato de criação da Refinaria Abreu e Lima. Depois de sobrevoarem juntos, à tarde, as obras de terraplenagem das obras da refinaria, no complexo portuário de Suape, fazerem poses e apertarem muitas mãos, os presidentes Lula e Hugo Chávez assistiram à assinatura de um contrato de associação, às 21 horas, no Palácio do Campo das Princesas, sem fazer comentários ou dar entrevistas. Os presidentes da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, e da venezuelana PDVSA, Rafael Ramirez, assinaram o documento que prevê a participação acionária de 60% para a Petrobrás e de 40% para a PDVSA, mas não define o estatuto social e o acordo de acionistas.

¿Isso merece uma foto, é um filho que levou meses para nascer¿, disse Lula. Foram assinados acordos de cooperação nas áreas de educação, microcrédito e agricultura e os presidentes dos dois países e das estatais de petróleo posaram para fotos e subiram ao segundo andar do palácio para um jantar.

Em nota, a Petrobrás informa que ¿prosseguirá seus estudos sobre a opção de participação societária de até 10% no projeto de exploração e produção de petróleo pesado no campo de Carabobo 1, na Faixa do Orinoco, no qual a PDVSA terá participação acionária não inferior a 60%¿. Os estudos - complementa a nota - prosseguirão até a conclusão da licitação, anunciada pela PDVSA, dos 30% restantes de participação.

No início das negociações para construção da refinaria, a previsão era de que a Petrobrás entraria com 40% de participação na refinaria de Carabobo. Depois a empresa recuou e aceitou reduzir a participação para 10%. Agora, segundo a nota, a Petrobrás já não se contenta com o porcentual. Para o diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, o documento representou ¿um passo adiante¿ para a concretização do acordo. Segundo ele, o acordo definitivo deverá ser fechado em no máximo dois meses.

`BELO PROJETO¿

Ao desembarcar no início da tarde de ontem na Base Aérea do Recife, Chávez anunciou a intenção de investir US$ 4 bilhões na refinaria, que classificou de ¿um belo projeto, que faz parte de uma aliança estratégica¿. O valor citado representa o custo total da refinaria - US$ 4,05 bilhões -, cuja obra de terraplenagem vem sendo bancada até o momento apenas pela Petrobrás. De acordo com o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho, a PDVSA deverá investir US$ 1,7 bilhão. Ele disse ter recebido a informação do diretor da PDVSA, Jose Vega, de que ainda neste ano a estatal venezuelana vai disponibilizar de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões para a refinaria.

Ao visitarem as obras de terraplanagem da refinaria, no complexo portuário de Suape em Ipojuca, litoral sul de Pernambuco, Lula e Chávez deram as mãos a Gabrielli e Ramirez, e também aos ministros Celso Amorim (Relações Exteriores), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Edison Lobão (Minas e Energia), ao governador Eduardo Campos (PSB) e ao prefeito de Ipojuca, Pedro Serafim.

As obras começaram em setembro do ano passado. Até agora foi executado 32% do trabalho de terraplenagem. O governador Eduardo Campos disse que Chávez ficou impressionado com o ritmo das obras, que representam um custo de cerca de R$ 420 milhões e deverão terminar em fevereiro de 2009.

Até o fim do ano deverá ser iniciada a construção civil dos prédios administrativos e de suporte da refinaria, que deverá começar a operar em 2010, com capacidade para processar 200 mil barris de petróleo pesado por dia - 50% do Brasil e 50% da Venezuela. A carga plena deverá ser atingida em 2011. A área da refinaria é de 630 hectares. Os dois presidentes também visitaram, em Suape, o centro de treinamento do Estaleiro Atlântico Sul. Ali, 160 profissionais estão sendo treinados para construir navios.

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