Título: Política industrial do Brasil propõe integrar países da AL
Autor: Lu Aiko Otta
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/03/2008, Economia, p. B3

Meta é elevar em 20% presença de empresas em 2 países da região

A nova política industrial em gestação no governo não se restringe ao Brasil. Há um capítulo dedicado à integração produtiva da América Latina, segundo mostram documentos aos quais o Estado teve acesso. A meta até 2010 é aumentar em 20% o número de empresas com presença em pelo menos dois países da região. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem como desafio elevar em 30% sua carteira de investimentos na região, atualmente em US$ 10 bilhões.

A avaliação é que o comércio entre os países da região é baixo. Além disso, a maior parte registra déficit nas transações com o Brasil. Já existem iniciativas para ajudar empresas latino-americanas a exportar para o mercado brasileiro, como o Programa de Substituição Competitiva de Importações (PSCI). A idéia é fortalecê-lo.

A política industrial também estabelece como meta implantar cinco projetos de integração de cadeias produtivas até 2010. Menina dos olhos do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o programa utiliza fornecedores de diversos países para produzir bens. Até o momento, o único exemplo é a cadeia automotiva.

A política industrial também lista projetos que já estão em andamento. É o caso dos 31 projetos de infra-estrutura em parceria entre o BNDES e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Outro exemplo é o Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul, ao qual o governo brasileiro destina US$ 70 milhões ao ano.

24 SETORES

A nova política industrial, cujas linhas gerais deverão ser anunciadas na terça-feira, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, compreende pelo menos 24 setores da indústria brasileira, divididos em três grupos: os que devem assumir a liderança mundial, que precisam ganhar competitividade e cujo desenvolvimento é estratégico para o País. Para cada setor, há medidas diferentes.

O objetivo é ampliar a produção nacional e as exportações. Existem quatro metas para 2010: aumentar a taxa de investimentos da economia brasileira para R$ 604 bilhões, ou 21% PIB; elevar o gasto privado em pesquisa e desenvolvimento para 0,65% do PIB ou R$ 18,2 bilhões; aumentar em 10% o número de micro e pequenas empresas exportadoras e a participação do Brasil no comércio mundial de 1,15% de 2006, para 1,25%, o que equivaleria a vendas ao exterior de US$ 208,8 bilhões. Para chegar a esse volume, as exportações devem crescer 11% ao ano.

No total, o BNDES reservou R$ 210,4 bilhões para financiar os setores de indústria e serviços entre 2008 e 2010. A esses recursos, somam-se R$ 41,2 bilhões em recursos do Programa de Apoio à Capacitação Tecnológica da Indústria (Pacti), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

Existe ainda um volume de desonerações tributárias cujo montante está em negociação. Estão programadas quatro reuniões até sexta-feira para tentar fechar um número, mas é possível que as discussões se estendam pela próxima semana.

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