Título: Microcomputador chega a casas do Bolsa-Família
Autor: Tosta, Wilson e Felipe Werneck
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/03/2008, Nacional, p. A20

Mais de 300 mil moradias que recebiam recursos de programas sociais em 2006 tinham microcomputadores. A informação surpreendeu ainda mais os pesquisadores do IBGE quando constataram que esse número era 3,1% do total, mais que o dobro do 1,4% de domicílios pobres dotados do equipamento apenas dois anos antes, em 2004, de acordo com a PNAD.

A maior concentração de 2006 estava no Sudeste, 5,6% dos lares da região, equivalente a 142 mil, seguido pelo Sul, com 5,2% -46 mil. O Nordeste, em números absolutos, estava em segundo, com 72 mil, mas, em termos relativos, eram apenas 1,5% do total.

Apesar do crescimento, os mais pobres ficaram muito longe das famílias que não receberam - 11,761 milhões, 26,4% - e do total de domicílios - 12 milhões, equivalentes a 22,1% com computadores.

Também espantou o crescimento do número de telefones no grupo dos que receberam ajuda - de 34,9% para 50,9% ou mais de cinco milhões de aparelhos. Também houve avanços da população beneficiada pelos programas sociais, de 2004 para 2006, no acesso a geladeiras _ de 72,1% para 76,6% dos domicílios - , freezers - de 6,1% para 6,3% - , máquinas de lavar roupa - de 7,6% para 10,2% - e televisores - de 82,5% para 87,9%.

É o caso da costureira Maria Hozana da Paz, de 40 anos, que recebe o Bolsa-Família e tem em casa, na capital paulista, geladeira, TV e rádio. ¿Ainda não comprei o celular. É só porque não tenho muito na conta no momento.¿

O movimento geral de expansão da posse de bens duráveis, contudo, se repetiu na população que não recebeu ajuda dos programas. Essas famílias avançaram, por exemplo, de 90,3% para 92% de lares com refrigeradores e de 39,6% para 43,6% para lavadoras de roupa.

A secretária nacional de Renda e Cidadania, Rosani Cunha, rebateu as críticas sobre suposto desvio de função do Bolsa-Família, cujo dinheiro, em lugar de ir para a alimentação, estaria servindo para a compra dos eletrodomésticos. ¿Acho isso preconceituoso, autoritário e desqualifica as escolhas que as famílias pobres podem fazer em proveito de suas famílias¿, disse.

Links Patrocinados