Título: Maioria dos beneficiados trabalha, indica pesquisa
Autor: Tosta, Wilson e Felipe Werneck
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/03/2008, Nacional, p. A20
Com a pesquisa Acesso a Transferências de Renda de Programas Sociais, IBGE sepultou um mito: o de que os programas sociais estimulariam a acomodação dos pobres à sua situação, levando-os, inclusive, a não trabalhar - o chamado ¿efeito-preguiça¿. Na verdade, o nível de ocupação de ¿pessoas de referência¿ de cada família, em 2006, foi de 77% nos domicílios em que houve recebimento de programa social, contra 73,8% nos lares em que não houve. No Nordeste, a distância foi maior: 77,9% contra 72,1%.
¿Quando comparamos aquelas famílias que estão no Bolsa-Família ou programas de transferência de renda com aquelas que não estão, aquelas que estão buscam mais ocupação¿, disse a secretária nacional de Renda e Cidadania, Rosani Cunha. ¿O que acho que esse dado mostra, primeiro, é que o programa está chegando aos mais pobres, mas essas famílias não estão se acomodando.¿
O perfil médio do beneficiado por programas sociais, em 2006, era pobre, preto ou pardo, pouco escolarizado. Ou seja, as iniciativas chegaram ao alvo para o qual foram criadas: a população mais empobrecida. É nela que se concentrou a maioria dos domicílios que recebiam auxílios como o Bolsa-Família, o Benefício de Prestação Continuada, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil.
Em 2006, enquanto a renda média domiciliar per capita nacional era R$ 601, o indicador, em domicílios atendidos por programas, era de R$ 172 - 28,61% do índice do Brasil. E 67,9% dos beneficiados eram pretos ou pardos, contra 31,7% de brancos. Há forte contraste na comparação com a média nacional: no País, há 49,7% de brancos e 49,5% de pretos e pardos. Os sem instrução ou com menos de um ano de escola eram 16,4% dos moradores de lares beneficiados, contra 10,2% dos domicílios em geral. ¿O alvo efetivamente foi alcançado¿, disse o presidente do IBGE, Eduardo Nunes.