Título: Oi e BrT fecham acordo da supertele
Autor: Irany Tereza
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/03/2008, Economia, p. B1

Os controladores das operadoras Oi e Brasil Telecom assinam esta semana o acordo de compra e venda, no valor de R$ 4,850 bilhões, que dará início à formação da ¿supertele¿ nacional. O documento será enviado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e ficará condicionado à mudança do Plano Geral de Outorgas (PGO), que não permite fusões e incorporações de empresas de telefonia fixa em áreas diferentes. O processo de análise levará, pelo menos, seis meses. Até lá, Oi e BrT continuarão atuando de forma independente, como se nenhum acordo tivesse de fato ocorrido.

Confirmações do acordo, por fontes que acompanharam as negociações, fizeram as ações das empresas disparar ontem na Bovespa. Os papéis preferenciais (PN) da BrT subiram 8,52% e os da Oi PN, 6,06%, num dia em que a bolsa caiu 0,5%. Todas as outras ações das operadoras também tiveram fortes altas. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que fiscaliza o mercado de ações, pediu esclarecimentos às empresas, mas somente após o fechamento do pregão a Oi divulgou comunicado negando que a compra da BrT tivesse sido fechada. À noite, representantes dos sócios continuavam reunidos acertando detalhes do acordo final.

A formalização da compra, prevista para o início desta semana, só pôde ser iniciada depois que os sócios Citigroup e Opportunity chegaram a um consenso, ainda verbal, que deve ter a papelada assinada ainda neste fim de semana. Diante da ameaça dos fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa) - também acionistas nas duas companhias - de desistirem de todo o processo caso não fosse colocado ponto final na disputa judicial que se arrasta há mais de oito anos, os dois principais litigantes concordaram com o fim de todos os processos, no Brasil e no exterior. E assinarão compromisso de não entrar com nenhuma nova ação.

Oi e Brasil Telecom já têm uma ¿interseção societária¿, resultado dos desdobramentos de uma privatização imperfeita: os fundos de pensão estatais participam das duas empresas. Por imposição da Anatel, tiveram de optar pelo controle de apenas uma delas e escolheram a Oi. O Opportunity, de Daniel Dantas, que era o gestor das participações dos fundos e também dos investidores do Citi nas operadoras, também participa nas duas pontas.

Na segunda-feira, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - que tem 25% no Grupo Oi - convocará a diretoria para discutir a questão. O banco participará apenas da primeira etapa do acordo: a reestruturação da Oi. E vai encolher sua fatia para 16,5%. Paralelamente, financiará os sócios Andrade Gutierrez e La Fonte (Carlos Jereissati), com cerca de R$ 1,5 bilhão, para compra das participações do GP Investimentos e do Opportunity, que deixam definitivamente a Oi.

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