Título: Eleitores 'fantasmas' votam no Zimbábue
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Fonte: O Estado de São Paulo, 30/03/2008, Vida&, p. A24
Supostos 8 mil votantes estariam em área desértica, dizem observadores
Afp, Efe e Reuters
Um grupo de observadores internacionais africanos denunciou a existência de 8,5 mil eleitores fantasmas registrados para votar nas eleições de ontem do Zimbábue, consideradas cruciais para o futuro do presidente Robert Mugabe. Marwick Khumalo, líder da missão de observadores do Parlamento Pan-Africano, relatou que, de uma lista com 24.678 nomes de um distrito eleitoral da capital Harare, ¿8,5 mil foram registrados em uma área deserta que tem apenas algumas barracas de madeira¿.
O principal partido opositor do país, Movimento pela Mudança Democrática (MDC), também apontou irregularidades nas eleições, e prometeu divulgar hoje seus próprios resultados da votação, desafiando uma ordem do governo - resultados preliminares oficiais estão previstos entre hoje e amanhã.
No poder desde 1980, Mugabe negou as acusações de que tentaria manipular o resultado das eleições para conseguir um sexto mandato. O presidente afirmou que, mesmo tendo certeza de que vai vencer, estaria pronto para aceitar uma derrota. ¿Nós não manipulamos eleições. Não poderia dormir com minha consciência tranqüila se tivesse fraudado o processo¿, afirmou. ¿Por que deveria trapacear? O povo está nos apoiando. Quando não o fizer mais, aí é a hora de desistir da política.¿
Mugabe está concorrendo contra Morgan Tsvangirai, do MDC, e Simba Makoni, ex-ministro das Finanças que concorre como independente. Se nenhum dos candidatos conseguir 51% dos votos, a eleição terá segundo turno. No entanto, Mugabe descartou a idéia de uma segunda votação. ¿Não estamos acostumados com lutas nas quais vamos do primeiro round para o segundo. Aqui nós nocauteamos uns aos outros¿, afirmou. Críticos do governo afirmam que o presidente fará de tudo para evitar um segundo turno.
A votação de ontem registrou lentidão na hora de depositar o voto, pois pela primeira vez o Zimbábue realizou simultaneamente eleições presidenciais, legislativas e municipais. Cerca de 6 milhões de eleitores estavam registrados para votar, e o Exército estava em alerta para evitar manifestações de violência.
Ontem, a casa de um candidato do partido governista ao Parlamento foi bombardeada. A polícia afirmou que ninguém ficou ferido no ataque, que aconteceu em Bulawayo, segunda maior cidade do país.
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