Título: CNI garante aumento da produção
Autor: Veríssimo, Renata
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/04/2008, Economia, p. B5

Para setor industrial, expansão do consumo será equilibrado pelo crescimento cada vez mais forte da oferta

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou, ontem, que a oferta interna deve crescer em ritmo cada vez mais intenso, diminuindo a diferença que existe hoje em relação à expansão do consumo. Por isso, o setor industrial não vê motivos para que a taxa básica de juros seja elevada na próxima reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), nos dias 15 e 16 de abril, para conter aumentos de preços em razão de um possível choque de demanda.

O economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco, disse que a alta dos juros poderia 'amortecer' o crescimento econômico e afetar os investimentos, já que haveria uma reversão das expectativas. Os indicadores industriais de fevereiro, divulgados ontem pela entidade, mostram que a utilização da capacidade instalada caiu e voltou a níveis de outubro, com 82,9%, descontados os efeitos sazonais do mês. Em janeiro era de 83,1%, mas atingiu o maior índice da série histórica em novembro, com 83,3%.

A queda no uso do parque industrial veio acompanhada de forte crescimento da produção e das vendas. As horas trabalhadas subiram 1,8% em fevereiro em relação a janeiro, atingindo a maior expansão desde abril de 2005. O faturamento cresceu 1,5% no período, o melhor resultado desde junho de 2007.

A expansão dos dois indicadores no primeiro bimestre é a maior desde o início da pesquisa da CNI, em 2003. O faturamento acumula 10,9% e o número de horas trabalhadas, 7,8%, sempre na comparação com o primeiro bimestre de 2007. Os empregos na indústria cresceram 5% no bimestre, o mais alto ritmo de expansão desde 2005. A massa real de salários aumentou 7,2% no mesmo período.

Castelo Branco disse que o câmbio favorável às importações tem feito com que a demanda interna esteja sendo atendida, em parte, pelas compras no exterior, ajudando a controlar a inflação. Ele lembrou que, em 2004, quando houve também forte expansão do consumo, o câmbio era de cerca de R$ 3 por dólar e limitava as importações. 'As empresas sentem necessidade de aumentar os investimentos, do contrário não conseguirão atender a demanda.'

Segundo ele, a redução do custo do capital e do custo tributário formou um ambiente favorável aos investimentos. Para a CNI, o ciclo de crescimento está mais forte e mais homogêneo que em 2004. Castelo Branco destacou que, ao contrário daquele ano, em que houve aumento do uso da capacidade instalada de forma brusca e em quase todos os setores, neste ano o crescimento ocorre em um pequeno grupo.

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