Título: Plano dos EUA dá mais poder ao Fed
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Fonte: O Estado de São Paulo, 01/04/2008, Economia, p. B1

Proposta de reforma na supervisão do sistema financeiro é a mais ampla desde a Grande Depressão de 1929

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, apresentou ontem um plano que, se aprovado, promoverá a maior reforma na regulação do sistema financeiro do país desde a Grande Depressão, iniciada em 1929. Paulson negou que a proposta tenha o objetivo de resolver a atual crise econômica, originada justamente no mercado financeiro.

Segundo ele, o projeto de 218 páginas começou a ser elaborado um ano atrás, ou seja, antes de os problemas no setor de hipotecas explodirem. ¿Grande parte de nosso sistema regulador foi criada após a Grande Depressão e desenvolvida como reação, criando entidades reguladoras em resposta a inovações de mercado ou a problemas nos mercados.¿

Os dois pilares do plano são o fortalecimento do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e a consolidação do sistema regulador. Em vez das sete instituições existentes hoje, haveria três (uma delas o próprio Fed).

A outra seria resultado da fusão da Securities and Exchange Comission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) com a Commodity Futures Trading Comission (Comissão do Mercado de Futuros de Matérias-Primas). A terceira teria a função de proteger o consumidor e fiscalizar as práticas empresariais.

Pela proposta do secretário, o Fed teria mais poderes do que hoje. A instituição ficaria responsável pela regulação de bancos de investimento, companhias de seguros, fundos hedge (de alto risco) e qualquer outra entidade que ameace a estabilidade do sistema financeiro. ¿O Fed teria autoridade para examinar minuciosamente o sistema e olhar a fundo onde seja necessário¿, disse.

Analistas notaram, porém, que na prática o Fed já tem tido mais poder. Na crise atual, isso ficou claro, por exemplo, com os empréstimos feitos diretamente a bancos de investimento e na coordenação da compra do problemático banco Bear Stearns pelo JP Morgan.

Ex-presidente do banco Goldman Sachs, Paulson rechaçou as críticas de que o governo queira restringir as liberdades nos mercados. ¿Aqueles que rapidamente querem rotular o plano como uma defesa de mais ou menos regulação estão `supersimplificando¿ esse crítico e inevitável debate¿, disse. ¿O plano é sobre estrutura e responsabilidades.¿

O projeto do secretário será agora encaminhado ao Congresso, mas ele mesmo alertou que dificilmente será aprovado antes do fim da administração Bush, em dezembro. Na apresentação da proposta, aliás, Paulson sugeriu que os congressistas devem esperar o fim da atual crise nos mercados financeiro e imobiliário para votá-la.

O mercado financeiro reagiu com indiferença ao anúncio. O Índice Dow Jones subiu 0,38% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 0,79%.

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