Título: No da Espanha, casarão vazio e gente espremida
Autor: Tavares, Bruno; Pereira, Rodrigo
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/04/2008, Metropole, p. C4

Mansão está fechada há três anos no Jardim Paulista

Enquanto centenas de pessoas são obrigadas a se espremer diariamente na acanhada sede do Consulado-Geral da Espanha em São Paulo, o governo daquele país mantém fechada há três anos a mansão de 1.315 metros quadrados comprada para para abrigar a nova sede da representação diplomática. Com o dobro de área útil e avaliado em R$ 20 milhões, o casarão na esquina da Rua Canadá com a Avenida Brasil, no Jardim Paulista, passou por obras de modernização e só agora está pronto para ser ocupado. O consulado informou que a mudança deve ocorrer em breve.

Em janeiro de 2005, durante visita ao País, o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, esteve na solenidade de apresentação da sede. ¿Na ocasião, a festa foi grande por ser uma conquista da colônia espanhola. Mas o sentimento hoje é de vergonha¿, protesta um membro da comunidade radicado há 56 anos no Brasil. Segundo ele, o adiamento se deve à ¿disputa entre dois escritórios de arquitetura espanhóis pela decoração¿. Funcionários do consulado, porém, dizem desconhecer a informação.

Alheios a essas discussões, brasileiros e espanhóis que procuram o consulado se queixam da estrutura e do mau atendimento. Muitos madrugam em frente do prédio na Avenida Bernardinho de Campos, no Paraíso, para não perder senha. ¿Cheguei às 5h10¿, disse o primeiro da fila na última quarta-feira de março, que pediu para não ser identificado. ¿Estive aqui ontem (terça) e perdi viagem.¿ Atrás, o motorista Alexandre Leonel, de 23 anos, reclamava da demora para emissão do visto de trabalho. ¿O site diz que o prazo é de cinco dias, mas espero há um mês¿, conta.

A falta de informação é uma crítica recorrente. Links importantes do site do consulado, como o de perguntas mais freqüentes, estão fora do ar. Os telefones não servem como alternativa. Numa quarta-feira à tarde, entre 13 e 14 horas, o Estado tentou por diversas vezes telefonar para a repartição. Quando não dava sinal de ocupado, o telefone tocava até cair a ligação. No mesmo horário, o celular de emergência estava desligado.

Sobre a qualidade do atendimento, o consulado respondeu que, em 2007, recebeu 19 queixas, o que equivale a 0,1% do total de aproximadamente 15 mil atendimentos. ¿Desses dados, se deduz que a proporção de queixas recebidas é afortunadamente muito baixa. Em qualquer caso, esse consulado trabalha constantemente para melhorar a qualidade do atendimento¿, diz.

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