Título: Exportação está em queda pela 1ª vez desde 1997
Autor: Brandão Junior, Nilson
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/04/2008, Economia, p. B5
Apesar do aumento em valores, volume vendido ao exterior caiu 1,6%
Pela primeira vez desde 1997, as quantidades exportadas pelo Brasil estão em queda. O volume vendido ao exterior em janeiro e fevereiro ficou 1,6% abaixo da média no ano anterior, conforme levantamento da Rosemberg&Associados. Os valores das exportações, em dólar, continuam crescendo, porque as cotações de produtos aumentaram. A queda de volume, contudo, preocupa analistas e especialistas em comércio exterior.
O trabalho, feito pela economista Thais Marzola, compara a média das exportações no bimestre à média de 2007, com ajuste sazonal, para retirar efeitos típicos das vendas em cada período do ano. Os dados relativos aos últimos anos mostram desaceleração do crescimento das exportações em volume desde 2003, quando as vendas em quantidades cresceram 19,3%. Em 2007, o avanço foi de 5,1%.
Para o vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, esses dados acendem uma luz amarela sobre o desempenho exportador. Segundo ele, o que gera emprego é o aumento do volume da produção e não o aumento da receita, que pode crescer por causa de reajustes de preços.
Castro diz que em alguns segmentos já vinha sendo observado recuo das quantidades vendidas em 2007. Ele cita carros (-6%), motores (-10,5%), calçados (-4,3%), móveis (-0,8%) e bombas e compressores (-3,6%). Em alguns casos, os reajustes de preços aumentaram a receita. ¿As empresas aumentam preços para compensar o câmbio fraco, mas isso reduz as quantidades vendidas.¿
Thais afirma que a valorização cambial reduz a competitividade, principalmente, de produtos manufaturados. Em paralelo, como o mercado interno está mais dinâmico, alguns setores estão redirecionando a produção para o mercado doméstico. ¿Por um lado isso é até bom, porque alivia a pressão inflacionária. Por outro, pode gerar conseqüências perniciosas para a indústria no longo prazo. É como se você estivesse desmontando a produção voltada à exportação, sendo que no futuro a demanda interna pode desacelerar. Corre o risco de desmontar parte do parque industrial.¿
O trabalho mostra que, por categoria de uso, há quedas em bens de capital (-0,8%), intermediários (-0,6%) e combustíveis (-16,6%). O volume de bens duráveis cresceu 2,4% e o de não-duráveis, 3,1%. A queda foi de 0,7% nos manufaturados e de 5% nos básicos. Os semimanufaturados tiveram alta de 2,2%.
Como as commodities continua em alta, a exportação geral prossegue avançando em dólares. ¿Você fica na dependência do que o mundo está demandando quando vende muito produto básico, porque são eles que definem os preços¿, argumenta o vice-presidente da AEB.
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