Título: Depois da euforia do Natal, as prestações
Autor: Chiara, Márcia De
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/04/2008, Economia, p. B4
Consumidor comprometeu renda
Toda vez que vai às compras, a auxiliar de enfermagem Luciana Leopoldo Ribeiro precisa fazer ajustes. Ela coleciona panfletos de promoções de supermercados, procura comprar em lojas de atacado e substitui marcas conhecidas por outras mais baratas.
Com renda familiar média de R$ 1,2 mil e dois filhos, Luciana faz de tudo para fazer o dinheiro render no dia-a-dia porque já comprometeu boa parte de seu orçamento com dívidas. No final do ano passado, aproveitou a euforia de Natal e comprou máquina de lavar roupa, celular pré-pago, jogo de panelas e ferro de passar. Parcelou tudo em 12 vezes - a última folha do carnê da rede varejista só vence em dezembro. Não sabe muito sobre juros, mas sente na pele que o dinheiro encurtou. Luciana põe a culpa no feijão, no óleo e nas roupas infantis - para ela, os itens que mais subiram. ¿A economia pode ir bem no noticiário, mas no dia-a-dia está difícil. Para o pobre, as coisas não estão tão boas assim¿, diz. ¿Toda vez que venho ao supermercado, sinto que meu dinheiro está comprando menos.¿
Luciana trabalha há dez anos na mesma empresa e diz que, nesse período, seu salário aumentou em apenas R$ 300. Ainda assim, alimenta o sonho de comprar um imóvel - embora não consiga reservar parte da renda familiar para a meta. Quando sobrar dinheiro para financiar um imóvel, ela quer que ¿a prestação caiba no orçamento¿.
Maria de Oliveira Souza, dona de um pequeno bar na zona norte da capital paulista, também precisa fazer malabarismo para esticar o dinheiro. Metade do faturamento do pequeno comércio hoje é utilizada para pagar despesas com materiais de construção, necessários para uma reforma. ¿O único jeito do pobre consumir é parcelando em várias vezes. Mas as contas acabam pesando no final do mês¿, diz. Já a recepcionista Márcia Fernandes evita ao máximo entrar em financiamentos, para não comprometer a renda. ¿A única coisa que eu comprei parcelada no ano passado foi um telefone celular.¿
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