Título: Inflação do idoso recua para 1,37% no trimestre
Autor: Saraiva, Alessandra
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/04/2008, Economia, p. B14
Alta menor dos alimentos in natura ajudou a diminuir a força do índice calculado pela FGV, que havia sido de 1,57% no mesmo período de 2007
Com os preços dos alimentos in natura subindo menos, a inflação do idoso medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) perdeu força no primeiro trimestre deste ano, com alta de 1,37% - inferior à taxa de 1,57% apurada em igual período ano passado.
O resultado também foi menor que o do Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), que mede a inflação no varejo em todas as faixas etárias e subiu 1,43% no mesmo período.
Mas a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que anunciou ontem o índice, alertou que os alimentos processados ainda pressionam a inflação, de forma preocupante. Tanto que 55% da taxa do IPC-3i, de janeiro a março, foi referente ao grupo alimentação.
O economista da fundação, André Braz, disse que, no ano passado, o peso dos alimentos era maior: 80% da taxa do IPC-3i no primeiro trimestre de 2007 foi originada do setor de alimentação, por causa da disparada nos preços dos alimentos in natura.
Porém, o economista considerou que a inflação dos produtos in natura não teve sustentabilidade, visto que a movimentação de preços desse tipo de alimento é excessivamente volátil e suscetível a problemas climáticos.
Esse não é o caso dos aumentos de preços em alimentos processados, que estão subindo agora, no IPC-3i do primeiro trimestre. ¿Essas elevações são mais preocupantes, porque não acabam de uma hora para outra¿, disse o economista. De janeiro a março deste ano ante o mesmo período de 2007, tiveram alta os preços de massas e farinhas (de 0,36% para 3,98%), de laticínios (de 0,91% para 1,28%), de biscoitos (de 1,11% para 4,16%) e do pão francês (de -0,90% para 3,59%).
MEDICAMENTOS
Braz não descartou trajetória de aceleração para as próximas apurações do índice. ¿No segundo trimestre, a taxa do IPC-3i deve ser maior (em comparação com a do primeiro trimestre)¿, avaliou. Isso porque, além da persistente alta nos preços dos alimentos processados, o próximo resultado do IPC-3i contará com o impacto do reajuste nos preços dos medicamentos, que entrará em vigor por volta dos dias 10 e 15 de abril; e o provável reajuste nos preços de planos de saúde, que deve ser anunciado em junho.
A FGV informou ainda que a inflação do idoso no primeiro trimestre foi maior que a do quarto trimestre do ano passado (1,17%). De acordo com o economista, a taxa acelerou, nessa comparação, por causa do término da queda nos preços de habitação (de -0,13% para 0,84%), no mesmo período. Isso porque o preço do aluguel residencial disparou (de 0,74% para 1,57%).
¿Talvez, com o aumento da renda e da compra de imóveis, a oferta para aluguel tenha se reduzido¿, disse o economista, explicando que os proprietários que antes alugavam seus imóveis podem ter aproveitado o bom momento no setor imobiliário para vendê-los.
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