Título: Polícia cubana dissolve protesto de mulheres
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/04/2008, Internacional, p. A11
`Damas de Branco¿ pediam libertação de seus parentes, presos por razões políticas em 2003
REUTERS E AFP
A polícia cubana dissolveu à força ontem uma manifestação de uma dezena de mulheres de presos políticos na Praça da Revolução, na frente do Ministério do Interior, em Havana. As integrantes do grupo, conhecido como Damas de Branco, pediam a libertação de seus parentes quando algumas agentes da polícia feminina chegaram. Após se negarem a abandonar o local, elas foram arrastadas para um ônibus. ¿Elas não estão sendo detidas, só vamos tirá-las daqui¿, disse uma das agentes, enquanto simpatizantes do governo vaiavam as manifestantes.
De acordo com a polícia, as mulheres foram levadas às suas casas. A informação mais tarde foi confirmada por Marta Bonachea, uma ativista próxima às Damas de Branco. ¿Nós desistimos de protestar hoje; mas vamos continuar (a sair às ruas) nos próximos dias para conseguir a liberdade de nossos presos¿, disse Berta Soler, uma das ativistas do grupo. ¿Ou eles libertam nossos maridos ou terão de nos prender¿, afirmou Laura Pollán, mulher de Hector Maseda, condenado a 20 anos de prisão.
Relativamente raros, os protestos em Cuba costumam ser dissolvidos com rapidez - muitas vezes por policiais à paisana. A proposta das Damas de Branco era fazer uma vigília na praça, como elas fizeram há três anos, quando ocuparam o local para entregar às autoridades cubanas uma carta pedindo a libertação de todos os presos políticos da ilha. Dessa vez, elas queriam entregar um documento ao ministro do Interior, Abelardo Colomé, com cópia para o presidente de Cuba, Raúl Castro, que assumiu oficialmente o cargo em fevereiro.
As Damas de Branco são parentes dos 55 intelectuais, jornalistas e opositores que foram presos por Fidel Castro em 2003 e ainda permanecem nas cadeias da ilha. Suas penas variam de 6 a 20 anos. Outros 20 cubanos também presos nessa ocasião já foram libertados principalmente por problemas de saúde e pressão internacional.
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