Título: Petrobrás ainda quer reforçar posição
Autor: Cançado, Patrícia
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/04/2008, Economia, p. B3

Estatal avalia outras opções para ampliar participação no mercado

Kelly Lima

A Petrobrás vai reavaliar sua estratégia no mercado de distribuição, depois da derrota para o Grupo Cosan na disputa pela compra dos ativos da Esso no mercado nacional. 'Nossa intenção era ampliar a participação no mercado. Ainda temos essa intenção. Mas teremos de reavaliar quais são os passos que vamos dar daqui para frente', disse o diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, sem dar mais detalhes sobre quais seriam as alternativas neste momento.

'Ainda é cedo para fazer avaliações', disse. Indagado sobre a perspectiva de a Petrobrás disputar a aquisição dos ativos da Esso no Uruguai e no Chile, Costa apenas afirmou que essa é uma outra história. 'Não podemos falar sobre isso neste momento. Vamos avaliar essa possibilidade (de disputar os ativos)', afirmou.

O diretor também não quis comentar os valores envolvidos na aquisição da Esso pelo Cosan. Segundo rumores do mercado, a Petrobrás teria oferecido US$ 1 bilhão em parceria com a distribuidora AleSat, mas a Esso acabou sendo vendida para o Cosan por US$ 826 milhões. 'Isso é uma decisão do vendedor. Não posso comentar, mesmo porque não tinha acesso ao valor oferecido.'

Segundo uma fonte do setor envolvida nas negociações, a proposta da Petrobrás/AleSat incluía também o valor da dívida que seria incorporado. No caso do valor divulgado pela Cosan, estão de fora as dívidas, que somam algo em torno de US$ 170 milhões. 'Quando se fala que a Petrobrás ofereceu US$ 1 bilhão, não se fala na cifra exata e sim por alto. A diferença entre as duas propostas realmente foi muito pequena, mas ganhou a melhor', comentou a fonte.

Já a distribuidora AleSat, parceira da Petrobrás na disputa pelos ativos da Esso no Brasil, decidiu não comentar a negociação. A empresa alegou acordo de confidencialidade e não quis sequer confirmar que estaria associada à estatal. Informações de bastidores, entretanto, dão conta de que os executivos da AleSat ficaram de fora das negociações, que teriam sido tocadas apenas pela Petrobrás.

Na Esso, assim como no mercado em geral, a compra dos ativos da empresa pelo Grupo Cosan foi uma surpresa. 'Todos acreditavam que a Petrobrás é quem levaria essa', disse o coordenador para assuntos regulatórios da empresa, Élvio Redeschini. Segundo ele, o fim da negociação trouxe um 'clima de otimismo com as boas perspectivas' que o novo controlador do grupo traz.

'A pior parte do processo é a ansiedade que ele gerou durante sua indefinição. Existia uma ansiedade natural e agora isso se acalmou', disse Redeschini.

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