Título: Notícia de incorporação surpreende o mercado
Autor: Pereira, Renée
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/05/2008, Economia, p. B3
Em recente apresentação de resultados, presidente da Nossa Caixa antecipou plano de expansão; entre janeiro e março, lucro cresceu 31%
O mercado estranhou a notícia de negociação entre os governos federal e estadual para a incorporação da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. Em recente entrevista para apresentação dos resultados, o presidente do banco paulista, Milton Luiz de Melo Santos, fez uma série de projeções aos analistas que cobrem o setor e antecipou um plano de expansão, com a abertura de novas agências.
Os resultados da instituição também vinham em ampla recuperação nos últimos trimestres. Entre janeiro e março, o lucro líquido da Nossa Caixa cresceu 31% e atingiu R$ 114,9 milhões. Além do avanço das operações de crédito, como em todo o setor, o resultado foi conseguido por meio da redução de despesas administrativas e de outras despesas operacionais.
Para conseguir aproveitar o bom momento do crédito, o banco fez em março deste ano uma parceria com a InPar para ampliar a carteira de crédito imobiliário. Fez também um acordo operacional com o BMG para cessão de créditos consignados a servidores públicos, estaduais e federais no valor de até R$ 100 milhões mensais.
Segundo o presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues, a incorporação da Nossa Caixa vai consolidar ainda mais a liderança do Banco do Brasil no ranking dos maiores bancos do País. Além disso, reforça sua presença em território paulista. ¿Se a negociação for concluída, o Banco do Brasil passa a incorporar em sua base de clientes cerca de 800 mil funcionários públicos que hoje recebem pelo banco paulista¿, diz o executivo.
Outro benefício é que a Nossa Caixa tem uma importante fonte de recursos de baixo custo que são os depósitos judiciais. Ao lado do Banco do Brasil, a instituição tem uma das maiores captações do País, diz Rodrigues. ¿Isso dá um diferencial de competitividade para emprestar dinheiro no mercado¿, afirma ele.
O súbito anúncio da negociação também trouxe desconfianças entre os analistas financeiros. Alguns acreditam até que a incorporação seria uma moeda de troca para o governo federal solucionar o problema da Companhia Energética de São Paulo (Cesp).
Em março, pela terceira vez, o leilão da estatal fracassou por causa do vencimento da concessão de algumas de suas hidrelétricas. Na ocasião, o governo federal não deu sinalização de que iria resolver o problema das usinas e os investidores desistiram de disputar a empresa.
Semana passada, o governo de São Paulo enviou dois requerimentos - um à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e outro ao Ministério de Minas e Energia - pedindo reconhecimento de um direito do Estado que garante a renovação das concessões por mais 30 anos.
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