Título: PF inclui Paulinho no organograma da quadrilha que agia no BNDES
Autor: Almeida Roberto; Macedo, Fausto
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/05/2008, Nacional, p. A4

Nome do deputado aparece ligado ao do lobista João Pedro de Moura, apontado como um dos mentores do esquema

O nome do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, é parte do ¿Organograma da Organização Criminosa - `Esquema BNDES¿¿, registrado na página 97 do Relatório de Inteligência Policial 11 da Operação Santa Tereza - peça que analisa os documentos recolhidos pelos federais e relacionados ao suposto desvio de verbas do BNDES. Para a PF, Paulinho teria recebido cheque de R$ 18.397,50 relativo ao primeiro desembolso do banco para a Prefeitura de Praia Grande (SP) e outra ordem de pagamento de R$ 82.162,93, referente a empréstimo às Lojas Marisa.

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O organograma construído pelos federais aponta que há quatro mentores para o suposto esquema. Um deles é o lobista, assessor e amigo de Paulinho João Pedro de Moura, o que envolveria diretamente o deputado e justificaria a inclusão do nome do parlamentar no documento. Na última vez em que comentou as investigações da PF, em 9 de maio, Paulinho disse: ¿O que Moura fez, nós (Paulinho e seu advogado, Antonio Rosella) não discutimos.¿

Segundo a PF, Moura percorreu cerca de 200 prefeituras dando como referência sua amizade com Paulinho para fechar novos contratos. Os demais líderes apontados pela PF são o ex-conselheiro do BNDES Ricardo Tosto, o sócio do prostíbulo WE Original Manuel Fernandes de Bastos Filho (foragido) e o proprietário da Progus Consultoria e Assessoria, Marcos Vieira Mantovani.

Para confirmar a participação dos envolvidos no suposto esquema, a PF recorreu ao BNDES para esclarecimentos. O banco de fomento, por meio do chefe de gabinete da presidência, Paulo Todescan, amparado pelo chefe do Departamento Jurídico, Denilson Nunes, explicou que o ¿BNDES não possui um setor específico para detectar fraudes¿ e ¿não recomenda aos seus clientes o uso de empresas de consultoria, como a Progus¿ - empresa de Mantovani, apontado pela Procuradoria da República como consultor da suposta quadrilha.

O banco defende-se, ao descrever os trâmites para liberação de verbas. De acordo com o BNDES, ¿seria praticamente impossível algum tipo de favorecimento para liberação de créditos, pois as decisões relativas a liberação de créditos são todas colegiadas¿.

A PF, porém, indaga: ¿Se para aprovação de verbas através do BNDES todos os projetos são analisados por um `colegiado¿ (sabemos, através dos representantes do BNDES que se trata de um colegiado `técnico¿), então por que empresas e prefeituras de diversas cidades estariam fazendo uso dos serviços da Progus e de seus `agenciadores¿?¿ A questão baseia-se no documento apreendido pela PF sobre operação das Lojas Marisa - empresa que, por nota, negou saber de qualquer esquema. A Progus cobrava uma ¿taxa de sucesso em 1,95% sobre valor das liberações dos recursos conforme projeto contratado com o Banco Financiador¿.

Os federais indagam ainda: ¿Por que João Pedro de Moura é tantas vezes indicado para tratar de assuntos relativos a liberação de verbas públicas, sempre indicado por empresários e autoridades públicas?¿

Na página 122 do relatório, em seção intitulada ¿Comentários Finais¿, os federais explicam as razões pelas quais inserem o nome de Paulinho no organograma. ¿Com relação às autoridades, Deputado Federal Paulo Pereira da Silva e Prefeito Alberto P. Mourão (de Praia Grande), ficou clara a participação destes na organização criminosa, conforme provas apresentadas neste relatório que somam-se a outras, de relatórios anteriores.¿ Segundo a PF, há mais material apreendido nas buscas que precisa de análise, o que possibilitaria a identificação de mais pessoas envolvidas.

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