Título: Farc confirmam morte de seu líder máximo e anunciam o sucessor
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Fonte: O Estado de São Paulo, 26/05/2008, Internacional, p. A11

Segundo declaração da guerrilha, `Tirofijo¿ morreu em março, aos 77 anos, em razão de um ataque cardíaco

Bogotá

Um dia depois de revelada pelo ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, a morte do líder máximo das Farc, Pedro Antonio Marín - mais conhecido como ¿Manuel Marulanda¿ ou ¿Tirofijo¿ -, foi confirmada pela guerrilha. As Farc também anunciaram o sucessor de Tirofijo: Alfonso Cano, um membro do ¿secretariado¿ da guerrilha tido como moderado (mais informações nesta página). O anúncio foi feito por meio de uma gravação de vídeo transmitida pela TV Telesur - emissora internacional cujo maior acionista é o Estado venezuelano. Nele, o guerrilheiro Timoleón Jiménez, também integrante do secretariado, informou, com a voz embargada, sobre a morte de Tirofijo.

¿Com imenso pesar, informamos que nosso comandante-chefe, Manuel Marulanda, morreu em 26 de março, de enfarte, nos braços de sua companheira e cercado por sua guarda pessoal¿, afirmou Jiménez. Ele afirmou que Tirofijo - que completaria 78 anos em 12 de maio - foi enterrado com as ¿honras que merecia um líder de sua dimensão¿ no país, entre os Departamentos de Huila e Meta.

¿Demos adeus a ele em nome dos milhares de guerrilheiros e milicianos bolivarianos (...) que o estimam, admiram e amam, apesar da asquerosa campanha midiática contra as Farc.¿ De acordo com a nota, a guerrilha ¿segue na luta até alcançar seu objetivo: o de uma nova Colômbia socialista¿. ¿Em meio à maior ofensiva lançada contra uma força revolucionária na história da América Latina, continuaremos a lutar.¿

Santos, por seu lado, afirmou que a morte de Tirofijo encerra um capítulo das Farc. ¿A guerrilha completa amanhã 44 anos de luta que só trouxeram dor, sofrimento, violência e morte ao país¿, disse o ministro. Ele explicou que o governo soube antes da morte de Marulanda porque a inteligência do país interceptou comunicações de membros da cúpula da guerrilha.

Santos afirmou que o fim do conflito interno do país - marcado pelo impasse militar, no qual nenhum dos dois lados tem capacidade para derrotar o oponente - está próximo. Ele disse ainda que a nomeação de Cano ampliou as divisões no comando da guerrilha. Segundo ele, o chefe militar das Farc, Víctor Julio Suárez Rojas - conhecido como ¿Mono Jojoy¿ -, também era um dos possíveis sucessores.

A morte de Tirofijo é a terceira baixa no secretariado das Farc desde março. O número 2 do grupo, Raúl Reyes, foi morto numa ofensiva colombiana no Equador. Dias depois, outro líder, Iván Ríos, foi assassinado por um guerrilheiro que desertou. AP, AFP E EFE

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