Título: Previsão de alta do juro já subiu para 0,75 ponto
Autor: Brandão Junior, Nilson
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/05/2008, Economia, p. B4

Aumentos nos preços reforçam apostas de analistas de nova elevação da Selic na próxima reunião do Copom

A escalada dos preços, tanto no varejo quanto no atacado, reforça a aposta dos economistas e do mercado financeiro na continuidade do aperto monetário. Eles avaliam que, depois de elevar os juros em 0,5 ponto porcentual em abril, o Banco Central (BC) voltará à carga e aumentará novamente a taxa, talvez numa dose até maior, de 0,75 ponto porcentual, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no início de junho.

A economista da Rosemberg&Associados, Thais Marzola, conta que a previsão da taxa Selic para o fim do ano foi revista para cima. A consultoria vinha trabalhando com uma perspectiva dos juros básicos da economia de 13,25%, mas já admite que a taxa chegue ao fim do ano em 14%. Para a próxima reunião do Copom, ela antevê um corte de 0,5 ponto porcentual, mas não descarta um eventual aumento de 0,75 ponto.

Já o banco alemão Dresdner Kleinwort, que trabalhava com a perspectiva de alta de 1 ponto porcentual na taxa até dezembro, já admite elevação de 1,5 ponto a 2 pontos para a Selic no fim do ano. Isso faria a taxa chegar a um nível entre 13,25% e 13,75%. Segundo a economista do Banco Real, Zeina Latif, o mercado abriu o dia mal humorado com os resultados da inflação e já havia estimativas de aumento da Selic em 0,75 ponto na próxima reunião do Copom.

Ela alerta que os núcleos da inflação - cálculo dos economistas que pretende estimar a tendência da inflação eliminando efeitos temporários - também estão elevados. ¿Apesar de o resultado do IPCA ter vindo dentro da média esperada, a abertura desse dado não foi das melhores¿, comentou. Ela também disse que a prévia do Índice Geral de Preços (IGP-M), divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), deverá fechar o mês perto de 1,7%, o que é considerado elevado.

Entre os economistas, parece consenso que o quadro inflacionário vai preocupar ainda mais o Banco Central (BC). O professor da PUC/RJ Luiz Roberto Cunha explica que pressões de alta também são detectadas no atacado. Os resultados dos primeiros dez dias do IGP-M mostram alta de 1,27% dos alimentos e 2,04% nos itens industriais no atacado. ¿É uma alta acentuada, que vai se refletir no varejo e tornar mais difícil a próxima decisão do Copom¿, diz ele.