Título: Brasil e Argentina terão livre comércio em 2013
Autor: Palacios, Ariel
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/05/2008, Economia, p. B16
Novo acordo automotivo fechado ontem entrará em vigor em 1.º de julho e manterá monitoramento da balança comercial nos próximos seis anos
Brasil e Argentina definiram ontem o novo acordo automotivo entre os dois países, que será assinado nas próximas semanas pelos ministros de ambos governos. O acordo implicará em nova espera, desta vez de meia década, pelo eventual livre comércio de carros e autopeças entre os dois países. Nesse período, vigorará novo esquema de comércio administrado.
O acordo atualmente vigente, que expira em 30 de junho, estipula que para cada US$ 1 que a Argentina importa do Brasil, pode exportar US$ 1,95 livre de impostos e vice-versa. No novo sistema chamado de flex, a Argentina terá seu teto para as vendas ao Brasil ampliado para US$ 2,50.
Esse mecanismo permitirá à indústria argentina exportar mais ao Brasil, favorecendo, principalmente, o setor de autopeças local de forma a encarar o livre comércio a partir de julho de 2013. O programa automotivo terá seis anos de duração, terminando em julho de 2014.
¿O Brasil não quer aumentar o superávit comercial de US$ 4 bilhões que tem com a Argentina¿, disse o secretário-Executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Ivan Ramalho. ¿O Brasil quer que os brasileiros possam importar mais da Argentina.¿
Segundo ele, o novo acordo proporcionará estímulos para que ocorram mais investimentos internacionais no setor automotivo do Brasil e da Argentina. Ramalho afirmou que empresas brasileiras também poderão ter interesse em investir mais na Argentina.
O comércio de automóveis e autopeças entre o Brasil e a Argentina atualmente é de US$ 12 bilhões anuais, 40% de toda a balança entre os vizinhos.
A liberação, se não ocorrerem as costumeiras guinadas realizadas pelos sucessivos governos argentinos desde 1999, permitirá que o Mercosul conte com o livre comércio automotivo em 2013. ¿Eu garanto que a Argentina fará os maiores esforços¿, afirmou o secretário de Indústria da Argentina, Fernando Fraguío.
O novo acordo terá um monitoramento trimestral do comércio bilateral do setor entre os dois países para que se possa corrigir eventuais desvios até que se chegue ao mercado livre.
Ramalho disse que a previsão é de que a produção anual de veículos, em seis anos, chegue a 6 milhões de unidades, sendo 5 milhões no Brasil e 1 milhão na Argentina.
SEM DESGASTES
Esse volume de produção colocará o Brasil e a Argentina como quarto maior mercado do mundo, atrás dos Estados Unidos, China e Japão, levando-se em conta as posições atuais dos países, informou o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider.
Na opinião de Schneider, o prazo de seis nos elimina as incertezas e os desgastes provocados nos últimos anos, quando os acordos precisavam ser renovados a cada um ou dois anos. ¿Também permite nos apresentarmos ao mundo e aos investidores internacionais com um processo de integração comercial e industrial de longo prazo e com aceno de livre comércio a partir do sexto ano, o que demonstra integração maior entre os dois mercados¿.
Segundo a Anfavea, no ano passado o comércio entre os dois países somou mais de US$ 9 bilhões, sendo que o Brasil exportou para a Argentina US$ 5,5 bilhões e importou US$ 3,6 bilhões. O setor automotivo responde por 40% de toda a balança comercial entre os dois países.
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