Título: Planalto vê depoimento como positivo para Dilma
Autor: Vera Rosa; Nogueira, Rui
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/05/2008, Nacional, p. A7

Para governistas, oposição não conseguiu comprometer ministra

O Palácio do Planalto comemorou o desempenho do ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires, na CPI dos Cartões. Na avaliação do Planalto, Aparecido deixou claro que nem a ministra Dilma Rousseff nem a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, ordenaram a montagem de um dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso .

Os assessores disseram ao Estado que os depoimentos serviram para mostrar, também, que os dados vazados para a imprensa são tão ¿banais¿ que não poderiam, como apontou a oposição, servir para chantagear o ex-presidente, parlamentares ou ex-ministros do governo FHC.

O governo gostou do depoimento porque, até agora, foi mantido o script desenhado para tirar o dossiê da agenda da mídia e do Congresso. A afirmação de Aparecido, de que deixou vazar as planilhas do dossiê ¿por descuido¿, faz parte de uma estratégia combinada com o Planalto para blindar Dilma. O ex-secretário assume toda a responsabilidade por saber que, entre outros fatos, a sindicância interna descobriu que ele pediu que os dados do dossiê fossem copiados para um pen drive de sua propriedade. A partir daí, teria ficado sem argumentos para dizer que recebera informações de alguém hierarquicamente acima dele.

Na tentativa de virar o jogo, os governistas batem agora na tecla de que a responsabilidade maior pelo vazamento é do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e de seu assessor André Fernandes. Para o governo, a oposição criou um ¿factóide¿ ao dizer que o dossiê serviria para chantagem.

ESCÂNDALO

O caso do dossiê é um subproduto do escândalo dos gastos abusivos com cartão corporativo, revelado pelo Estado no dia 13 de janeiro. A então ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial) aparecia como a campeã de gastos. Por conta do escândalo, Matilde deixou o cargo no dia 1º de fevereiro. A partir daí, a oposição passou a pressionar pela abertura de uma CPI. Assessores do governo decidiram, então, colher dados sobre gastos do governo FHC para enfrentar a oposição.