Título: Petróleo beira US$ 130 e eleva a inflação global
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Fonte: O Estado de São Paulo, 21/05/2008, Economia, p. B3
Alta do barril, que marcou novo recorde em Nova York ontem, pressiona índices de preços no mundo inteiro
Agências Internacionais, Nova York
O preço do petróleo bateu novo recorde ontem e reforçou os temores sobre a inflação global. O barril para entrega em junho subiu 1,78%, para US$ 129,07, na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês). Segundo analistas, o mercado vive um momento incomum. O contrato futuro para julho, cuja cotação passa a ser referência a partir de hoje, era o mais barato no encerramento dos negócios. É uma situação distinta do padrão recente, o que comprova o altíssimo nervosismo no curto prazo.
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Os preços para os contratos mais distantes subiram acentuadamente, mas com pouco volume de negócios. O contrato para entrega em dezembro de 2016, o mais longo, fechou em US$ 138,38 o barril, alta de 6,4%, e apresentou prêmio de US$ 9,31 sobre o contrato de junho. Em 6 de maio, esse contrato de junho apresentava prêmio de US$ 8,60 em relação ao contrato de dezembro de 2016.
Tom Bentz, corretor e analista do Banco BNP Paribas em Nova York, disse que os ganhos nos contratos mais longos provavelmente estão relacionados a compras para cobertura de posições pelos produtores. Aparentemente, disse ele, "as pessoas estão prevendo que os preços continuarão elevados por muito tempo".
Operadores disseram que uma alta do barril para acima de US$ 130 teria desencadeado mais ganhos acentuados dos preços. Segundo os especialistas, o mercado agora terá a atenção voltada para os dados semanais de estoques de petróleo nos Estados Unidos, que serão divulgados hoje.
Michael Wittner, analista do Banco Société Générale em Londres, elevou sua projeção de preço médio para o barril em 2008 de US$ 101 para US$ 115. O banco Credit Suisse também subiu sua previsão, de US$ 91 para US$ 120.
Os preços voltaram a ganhar impulso na segunda-feira, depois de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ter informado que não vai mudar sua produção antes do próximo encontro, marcado para setembro. O presidente da Opep, Chakib Khelil, fez o comentário depois que a Arábia Saudita, líder informal do grupo, disse na sexta-feira que elevou a sua produção em 300 mil barris por dia em resposta a pedidos de clientes, entre os quais o presidente americano, George W. Bush.
O empresário do petróleo T. Boone Pickens afirmou ontem à rede de notícias CNBC que acredita que o petróleo continuará subindo, talvez até US$ 150 o barril este ano. Segundo ele, os preços elevados devem-se à redução na oferta global, mais do que a uma bolha causada pelos especuladores.
O ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) Alan Greenspan discorda. Para ele, o aumento dos preços do petróleo, assim como o rápido aumento dos alimentos, são, em parte, causados por uma bolha. "Há aspectos de uma bolha no petróleo e nos grãos, mas há forças de fundamento os impulsionando", afirmou, durante teleconferência com clientes na Grécia.
PRESSÃO
Em termos econômicos, a alta persistente do petróleo preocupa analistas e autoridades porque eleva a inflação global. Ontem, dois indicadores de preços de diferentes países reforçaram essa tendência.
Nos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no atacado no país, subiu 0,2% em abril, ante expectativa de 0,4% dos analistas. Em compensação, o núcleo do indicador, que exclui os itens alimentos e energia, avançou 0,4%, o dobro do esperado. Os números foram divulgados pelo Departamento do Trabalho.
Os preços ao produtor da Alemanha também tiveram alta além do esperado em abril, graças, principalmente, à elevação dos preços da energia. Segundo o Escritório Federal de Estatísticas (Destatis), o Índice de Preços ao Produtor subiu 1,1% em relação a março e 5,2% na comparação com igual período do ano passado. Trata-se da maior elevação em termos anuais desde agosto de 2006, quando o indicador havia avançado 5,9%.
Economistas ouvidos pela agência Dow Jones previam uma alta de 0,5% no mês e de 4,7% em termos anuais.