Título: Câmara investigará Paulinho, que cai em novo grampo da PF
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Fonte: O Estado de São Paulo, 07/05/2008, Nacional, p. A4
Presidente da Câmara solicita ao corregedor da Casa que investigue suspeitas contra Paulinho Nova escuta telefônica mostra pedetista discutindo com um dos acusados ¿formas de desqualificar a investigação¿ da Polícia Federal Da tribuna, parlamentar nega ligação com esquema de desvios no BNDES e ataca atuação da PF
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), solicitou ao corregedor Inocêncio Oliveira (PR-PE) que apure as suspeitas contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, apesar de ainda não conhecer escuta telefônica registrada em documento a que o Estado teve acesso. O grampo mostra o pedetista discutindo com um dos alvos da Operação Santa Tereza da Polícia Federal ¿formas de desqualificar a investigação¿. Reportagem do dia 27 de abril já havia revelado que o parlamentar teve o nome citado em relatório da PF como suposto beneficiário da partilha de recursos que teriam sido desviados do BNDES.
A conversa de Paulinho com um dos citados na investigação consta de documento que a Procuradoria da República entregou à Justiça Federal - o qual sustenta que acusados estão usando ¿seu poder político¿ para desclassificar a Operação Santa Tereza.
A abertura de investigação na Câmara é sintoma da gravidade das acusações contra o deputado. Menos de duas horas depois de ser anunciado que seria alvo da corregedoria, Paulinho foi à tribuna da Casa para se defender. Negou envolvimento no caso, atribuiu as acusações à sua atuação em defesa dos trabalhadores e anunciou que abria seu sigilo bancário, fiscal e telefônico. À noite, a Executiva do PDT decidiu prestar solidariedade a ele e não aplicar nenhuma punição.
Em seu discurso na tribuna, o deputado criticou a PF por se basear em apenas três menções a seu nome. ¿A partir daí eu virei suspeito, criminoso. Não tenho nada a ver com isso¿, reclamou Paulinho, que recebeu apoio de entidades sindicais.