Título: Gabeira vê partidarismo em Comissão de Anistia
Autor: Nogueira, Rui
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/05/2008, Nacional, p. A11

O deputado federal Fernando Gabeira, pré-candidato do PV à Prefeitura do Rio de Janeiro, acusou ontem o Ministério da Justiça de usar um requerimento dele, enviado cinco anos atrás à Comissão de Anistia, para ¿fazer guerra política¿ e ¿luta partidária¿.

Em 2003, quando deixou a base aliada do governo Lula e saiu do PT, o deputado submeteu à comissão um requerimento para que fosse avaliada a possibilidade de contar tempo para uma eventual aposentadoria o período em que ele trabalhou em jornais que foram empastelados ou fechados, além dos nove anos de exílio.

Gabeira reclamou do fato de a Comissão de Anistia não se manifestar ao longo de cinco anos e, só agora, quando critica abertamente as indenizações ¿sem critério¿ concedidas a opositores do regime militar (1964-1985), o Ministério da Justiça anunciar que vai analisar o seu requerimento. O pedido entrou na pauta de julgamentos previstos para hoje.

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, negou que a escolha da data tenha motivação política. Segundo ele, em fevereiro, portanto antes das críticas feitas por Gabeira, a comissão decidiu que faria um mutirão para julgar até o fim de maio cerca de 60 processos.

¿Anunciamos que faríamos o julgamento de jornalistas em reunião na Associação Brasileira de Imprensa, para comemorar o centenário da entidade¿, disse Abrão. Segundo ele, além de Gabeira, outros 23 processos de jornalistas serão julgados hoje. O presidente da comissão disse ainda que Gabeira ¿pode, como o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff, pedir para o processo não ser julgado¿.

¿Eu não pedi para receber dinheiro da comissão, eu não pedi reparação como vítima do regime militar. Diante de uma emergência e de ter, talvez, de me aposentar, eu pedi, como permite o artigo 3º da lei, para ver se poderia contar esses períodos como tempo de trabalho. Não tenho documentos que provem que trabalhei nesses jornais¿, disse Gabeira. Os jornais Binômio e Panfleto foram empastelados; o Diário da Noite e a Última Hora fecharam.

Ex-militante do MR-8, Gabeira, que participou do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick, em 1969, viveu na Suécia de 1971 a 1979, onde trabalhou como jornalista, em uma rádio, e maquinista de metrô.

O deputado critica a ¿falta de critério¿ na concessão de pensões pelo governo. Recentemente, ele se manifestou quando foram anunciadas as indenizações para os jornalistas Ziraldo e Jaguar, que receberam mais de R$ 1 milhão de retroativos e pensão mensal de R$ 4,3 mil.