Título: Corregedor quer processo de cassação para Paulinho
Autor: Lopes, Eugênia
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/05/2008, Nacional, p. A6

Para Inocêncio, situação ficou ainda mais delicada depois de escutas que flagraram deputado discutindo como desqualificar a investigação da PF

O corregedor-geral da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), afirmou ontem que vai defender a abertura de processo de cassação no Conselho de Ética contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), caso o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, decida pedir autorização para que o Supremo Tribunal Federal (STF) investigue o envolvimento do parlamentar em suposto esquema de desvio de verbas do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O processo por falta de decoro parlamentar poderá levar à cassação do mandato de Paulinho.

¿Se o procurador resolver abrir investigação, vou pedir imediatamente a abertura de representação contra o Paulinho no Conselho de Ética¿, disse Inocêncio. Para ele, a situação do deputado, que é presidente da Força Sindical, ficou ainda mais delicada depois que reportagem do Estado revelou ontem que gravações telefônicas flagraram Paulinho discutindo como desqualificar a investigação da Polícia Federal.

¿São denúncias muito graves¿, afirmou o corregedor. ¿Ele não poderia usar o mandato de deputado para pressionar A, B ou C. O telefonema foi um momento muito infeliz.¿

CONVERSA

Paulinho, que circulou ontem pela Câmara, admitiu ter conversado com o advogado Ricardo Tosto sobre o episódio de desvio do BNDES. ¿Ricardo é meu amigo e liguei mesmo para ele. Não tem problema nenhum. Falei que ia me defender no Congresso Nacional e mostrar minha inocência¿, disse.

Inocêncio está convencido de que a denúncia feita ao procurador-geral da República para que o Supremo autorize a investigação de Paulinho não é apenas calcada no relatório da Polícia Federal. ¿O relatório da PF é muito pouco. É claro que tem mais alguma coisa¿, afirmou o corregedor. Ele já solicitou a Souza o envio do relatório feito pela procuradora da República Adriana Scordamaglia sobre todo o caso.

Os dados com as denúncias envolvendo o presidente da Força Sindical chegaram ontem, às 12h20, na Corregedoria da Câmara. No meio da tarde, Inocêncio assinou ofício, notificando Paulinho para prestar esclarecimentos sobre o episódio com o BNDES. O deputado tem cinco dias úteis para apresentar sua defesa.

DEPOIMENTOS

Além de Paulinho, Inocêncio já avisou que pretende ouvir outros envolvidos no caso: o advogado Ricardo Tosto, o ex-assessor do deputado João Pedro de Moura e o prefeito de Praia Grande (SP), Alberto Mourão (PSDB), que teria pago R$ 325 mil para o deputado intermediar um empréstimo de R$ 124 milhões no BNDES.

¿Vou investigar para valer. Não pode pairar qualquer dúvida¿, disse Inocêncio. Segundo ele, a investigação deverá durar entre 30 e 40 dias. Até lá, o corregedor vai decidir se o caso será arquivado ou se pedirá abertura de processo por falta de decoro parlamentar para a cassação do mandato de Paulinho. Qualquer que seja a conclusão, ela tem de ser aprovada pela Mesa Diretora da Câmara.