Título: Uruguai deve ter agência do BNDES
Autor: Chiarini, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/05/2008, Economia, p. B8

Previsão é que a subsidiária comece a funcionar em agosto para apoiar empresas brasileiras no exterior

A primeira subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no exterior será aberta provavelmente em Montevidéu, no Uruguai. A unidade deve funcionar com o escritório de representação da instituição na capital uruguaia, anunciado em dezembro, que, segundo previsão recente do vice-presidente do banco, Armando Mariante, deve começar a operar em agosto.

De acordo com outro executivo do banco, os dois projetos caminhariam em paralelo. A subsidiária, porém, é bem mais complexa, pois, na prática, representará a operação do banco no exterior. A instalação depende, ainda, entre outras exigências, de autorização do Banco Central (BC).

O país vizinho está sendo cotado para abrigar a filial também por ser um paraíso fiscal. Isso deve reduzir custos para as operações a serem realizadas por lá, com as quais o banco pretende apoiar a atuação de empresas brasileiras no exterior, principalmente na América Latina.

A idéia é que a filial use em seus financiamentos recursos captados pelo BNDES no exterior. Assim, o dinheiro não precisaria entrar no Brasil para somente depois poder financiar a atuação de empresas brasileiras fora do País.

O projeto ainda está em fase embrionária, mas pode ser incluído no conjunto da nova política industrial, que será divulgada na segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na, sede do BNDES, no Rio, seguida de entrevista coletiva do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, e do presidente do banco, Luciano Coutinho.

A nova política terá uma parte importante dedicada à exportação e ao apoio às atividades de empresas nacionais em outros países, justamente o foco da subsidiária do BNDES. Os objetivos também são compatíveis com os do fundo soberano que o governo pretende criar para, entre outras finalidades, fomentar a internacionalização das empresas nacionais. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse na terça-feira que a subsidiária do BNDES deve atuar com o fundo soberano, embora não vá operá-lo.

O BNDES tem US$ 2,3 bilhões em operações contratadas de exportação de bens e serviços para obras de infra-estrutura na América do Sul. São quatro gasodutos na Argentina, uma rodovia no Paraguai, uma linha de transmissão elétrica e uma rede de gás no Uruguai, além de obras de transporte no Chile, no Equador e na Venezuela.