Título: Nenhum setor da indústria vai ficar de fora, garante Miguel Jorge
Autor: Puliti, Paula; Xavier, Luciana
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/05/2008, Economia, p. B4
Ministro diz que nova política industrial citará nominalmente 24 setores, com a possibilidade de inclusão de outros
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse ontem que, ao contrário da política industrial do primeiro mandato do governo Lula, a política de desenvolvimento produtivo para o País, que será anunciada na segunda-feira, não deixará de fora nenhum setor da economia. O plano citará nominalmente 24 setores, mas terá o que o ministro chamou de ¿caixinha¿, na qual estarão incluídas outras áreas da indústria.
¿Não consideramos que deveríamos escolher quais seriam os vencedores e quais os perdedores. Isso não é papel do governo¿, disse ele ao AE Broadcast, da Agência Estado.
Na avaliação do ministro, o papel do governo é induzir o desenvolvimento. ¿Não podemos deixar isso na mão do mercado. O mercado não é perfeito, é imperfeito. O governo também não é perfeito, mas tem grande possibilidade de alavancar políticas de desenvolvimento.¿
Para citar um exemplo concreto, o ministro contou que, em paralelo às discussões da política de desenvolvimento produtivo, o governo conversou com várias empresas. E, sabendo do interesse do governo em usar seu poder de compra, a General Electric fabricou e vai entregar na semana que vem a primeira locomotiva pesada feita no Brasil em 40 anos. ¿Por que não comprarmos determinados equipamentos fabricados no Brasil, mesmo que haja grande parte de material importado? Por que não atrair fabricantes para produzir aqui e tornar o País uma plataforma exportadora?¿, provocou.
O ministro afirmou que o novo plano vai estimular as exportações. ¿Certamente não compensará essa valorização do real, que tem muito mais a ver com o enfraquecimento do dólar no mundo todo. Mas acredito que podemos dar alguma vantagem ao exportador.¿ Segundo ele, as medidas serão abrangentes e prometem trazer mais incentivos à indústria do que a política industrial do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ¿Será um plano ambicioso, mas factível.¿
O novo plano prevê coordenação entre os ministérios para a criação de um complexo industrial da defesa juntamente com o Ministério da Defesa e do complexo industrial da saúde com o Ministério da Saúde, ¿para estimular a produção tanto de fármacos, genéricos etc., como de equipamentos hospitalares¿. ¿Voltamos a fazer com que o Estado seja coordenado entre os vários ministérios.¿
Segundo o ministro, há na área da saúde um déficit de US$ 5,5 bilhões por ano. ¿Queremos reduzir o déficit para US$ 4 bilhões até 2010. É um desafio bastante grande¿, comentou.
DÓLARES
Miguel Jorge admitiu que o governo poderá adotar medidas para restringir o capital estrangeiro especulativo caso o dólar caia ainda mais com o Brasil na condição de grau de investimento. O ministro ressaltou, porém, que não espera uma enxurrada de dólares e, portanto, não coloca a adoção de medidas cambiais em seu cenário básico.
¿As avaliações no ministério indicam que não haverá uma enxurrada. Primeiro, porque há já houve uma enorme entrada de investimentos diretos nos últimos dois anos. Somos o segundo maior país em recebimento de investimentos diretos entre os emergentes. Segundo, porque há uma liquidez muito menor no mundo com a crise do subprime (nos EUA), em que os bancos e fundos encolheram muito as perspectivas para investimentos.¿ Ele garantiu ainda que o governo não deve divulgar medidas adicionais para a indústria após o anúncio da próxima segunda-feira, no Rio. ¿Não haverá essa coisa de anunciar aos poucos. Será tudo no mesmo dia¿, garantiu.