Título: Ritmo da indústria cai em todo o País, diz IBGE
Autor: Chiarini, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/05/2008, Economia, p. B11
Segundo instituto, perda de fôlego em março deve-se principalmente ao menor número de dias úteis e à greve dos auditores da Receita Federal
A redução do ritmo de crescimento da produção industrial brasileira em março foi generalizada pelo território nacional. De 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dez tiveram expansão na comparação com o mesmo mês de 2007 e quatro queda. No entanto, apenas dois - Ceará e Espírito Santo - cresceram o suficiente para acelerar a produção no acumulado de 2008.
No Estado de São Paulo, o maior parque fabril nacional, o crescimento da produção industrial foi de 4,6% na comparação com março de 2007 - bem abaixo dos 10,3% registrados em fevereiro na mesma base de comparação. Isso baixou a alta acumulada no ano pela indústria paulista de 11,6% até fevereiro para 9% até março.
Mas 14 das 20 atividades pesquisadas na indústria paulista mantiveram o desempenho melhor em março, ante mesmo mês do ano passado. As que mais contribuíram para o índice total foram veículos (9,9%), máquinas e equipamentos (9%), outros produtos químicos (12,4%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (23,2%). Os principais destaques foram automóveis, inseticidas, transformadores, aparelhos elevadores/transportadores de mercadorias e centros de usinagem.
Entre os seis ramos em queda, a maior pressão negativa foi do refino de petróleo e produção de álcool (16,7%), o que os técnicos do IBGE atribuíram em grande parte ao recuo na produção de óleo diesel e gasolina.
Os números de São Paulo estão acima da média nacional, uma vez que a indústria do País teve alta de 0,4% frente a fevereiro e de 1,3% em relação a março de 2007. Se no primeiro bimestre a expansão sobre igual período de 2007 foi de 9,2%, no primeiro trimestre caiu para 6,3% na mesma base de comparação.
Para a gerente de Análise e Estruturas Derivadas do IBGE, Isabella Nunes, o fator principal para a desaceleração foi o calendário, já que em março deste ano houve dois dias úteis a menos do que em março do ano passado. De acordo com ela, isso pesa muito em setores onde há grande produção por cotas diárias. Um exemplo é a indústria automobilística.
Ela vê possibilidade também de a greve dos fiscais da Receita Federal ter impactado o resultado. ¿Os efeitos da greve devem aparecer claramente em abril¿, afirmou.
Segundo Isabella, os números do Amazonas reforçam a suspeita de que a greve afetou a produção. Naquele Estado, há muitas empresas montadoras de aparelhos eletrônicos e equipamentos de informática, que usam muitas partes importadas. A atividade industrial amazonense caiu7,6% em março em relação a fevereiro.