Título: País gasta 1% do PIB ao ano com reservas
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/06/2008, Economia, p. B6

BIS diz que custo se deve à taxa de juros e à valorização do real

A manutenção das reservas internacionais do Brasil entre 1999 e 2007 custou aos cofres públicos o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do País por ano. O cálculo é do Banco de Compensações Internacionais (BIS), o banco central dos bancos centrais.

Em seu relatório trimestral, divulgado ontem, a instituição destaca que os mercados emergentes já acumulam reservas de US$ 4,5 trilhões e defende maior diversificação na composição das reservas, incluindo a criação de fundos soberanos para investir os recursos.

Segundo o BIS, presidido por Malcolm Knight,o custo das reservas no Brasil ¿deve ser atribuído às altas taxas de juros no País, assim como a valorização substancial do real desde 2003¿.

Pelos cálculos da entidade, cada vez que o real valoriza, o BC perde em suas reservas. Isso porque o valor da reserva em real acaba diminuindo. ¿Qualquer valorização da moeda local ante a moeda que compõe a reserva reduz o valor da reserva¿, afirma o BIS.

A taxa de juros encarece o valor que o próprio BC precisa obter para conseguir reais para comprar dólares. As reservas em moeda estrangeira atingiram US$ 195 bilhões em abril e, em maio, devem superar os US$ 200 bilhões. Em pouco mais de um ano, as reservas duplicaram com as compras feitas pelo Banco Central (BC).

GRAU DE INVESTIMENTO

Para o BC, a reserva serve como um escudo contra eventuais choques internacionais. O montante adquirido pelo País nos últimos anos teria ajudado a garantir o grau de investimento à economia brasileira concedidos pela Standard&Poor¿s e pela Fitch. Isso porque as reservas também servem como prova ao mercado de que o Brasil tem recursos suficientes para honrar sua dívida externa em caso de uma crise global.

O acúmulo de reservas está chamando a atenção do BIS, seja pelos recursos gerados pelo petróleo, pelo superávit chinês ou pelo desempenho das economias emergentes atraindo o capital que antes ia para os EUA.

Segundo o relatório, a crise financeira fez com que os bancos contraíssem sua exposição nos Estados Unidos, ampliando o fluxo de recursos para as economias emergentes.

Não por acaso, a América Latina se transformou em credora internacional em 2007 e muitas regiões observaram crescimentos recordes de entradas de recursos. Para o BIS, há um ¿vigoroso debate' sobre como os países deveriam reinvestir esses recursos.

O BIS admite que, para muitos países, ter uma reserva pode garantir maiores recursos para momentos de emergência. Mas também representa um custo. Para alguns países, o custo de manter a reserva conseguiu ser negativo. Entre esses países está a Argélia, África do Sul, Taiwan e Tailândia.

Para os que têm custo, o BIS aponta para a diversificação dos recursos como opção. O uso de papéis e bônus de curto prazo poderiam reduzir os custos das reservas da China, Índia e Coréia. Só os chineses já contam com US$ 1,3 trilhão em sua reserva. No caso do Brasil, porém, essa diversificação proposta não geraria ganhos de mais de 0,1%.

ALTERNATIVAS

O BIS aponta que uma saída seria a transferência de parte dos recursos das reservas para fundos soberanos que, então, poderiam ter margem para adquirir títulos de maior risco e mais rentáveis. Apesar do debate sobre o custo das reservas, o BIS admite que um banco central não pode cuidar de seus recursos como faz um fundo de investimentos.

¿Os BCs vão sempre primar pela liquidez e segurança em vez de retorno¿, afirma o relatório da entidade. ¿Os objetivos de garantias monetárias e estabilidade financeira influenciam profundamente as decisões de administração de reservas¿, explica o BIS.

A entidade também alerta que, quanto maior for a reserva, maior será a atenção em relação às medidas que o BC tomará para cuidar desses recursos.

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