Título: Governo municia base aliada para contestar Denise
Autor: Fontes, Cida; Costa, Rosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/06/2008, Economia, p. B3

Para o líder do governo no Senado, antes de acusar Dilma Rousseff é preciso esclarecer todo o processo

O governo prepara uma farta documentação para contestar amanhã a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, que participará de audiência pública na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Os líderes governistas estão sendo abastecidos com dados desde a falência da Varig até a operação de venda da Varig para a VarigLog, passando pela mudança na Lei de Falências, que teria sido feita para beneficiar empresas aéreas, por sugestão da oposição. ¿Vamos tirar a limpo essa história¿, disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que tentará desqualificar as denúncias de que a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, teria feito pressões para beneficiar o grupo de compradores.

O objetivo do governo é encerrar rapidamente a polêmica e evitar desdobramentos que levem a oposição a pressionar também pelo comparecimento de Dilma e do advogado Roberto Teixeira, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na comissão. Até ontem, o requerimento para ouvir Teixeira não havia sido formalizado, apesar do acordo entre governo e oposição na semana passada.

Enquanto os aliados do Planalto trabalham na blindagem da ministra, os líderes da oposição buscam argumentos para a queda-de-braço. Hoje, senadores do PSDB e DEM vão se reunir para definir a estratégia da oposição. A expectativa do líder do DEM, senador José Agripino (RN), é de que Denise apresente documentos para sustentar as denúncias feitas ao Estado. ¿A hora é de ouvir¿, disse o senador, que deseja esclarecer dois pontos: a venda da empresa a um fundo estrangeiro, o Matlin Patterson, contrariando a legislação; e o fato de os compradores não terem assumido a dívida da empresa aérea.

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) acredita no aparecimento de ¿provas irrebatíveis¿ sobre o episódio que, segundo ele, mostra a relação promíscua do governo com amigos do presidente. Já o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) vai propor aos partidos de oposição que encaminhem ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, uma representação para que o Ministério Público investigue as denúncias. Dias alega que, diante da ¿robustez dos fatos¿ o ideal seria uma CPI. Mas afirma que não vai propor a criação de uma comissão porque o governo conseguiu, na CPI dos Cartões, ¿desmoralizar¿ o principal meio de investigação parlamentar, ao impor uma tropa de choque para boicotar as apurações.

Para Romero Jucá, antes de acusar Dilma, é preciso esclarecer todo o processo, a começar pela falência da Varig até as decisões judiciais que resultaram na venda. ¿Quero discutir em cima de dados. Não de remorsos e disputa pessoal¿, afirmou, insinuando que Denise Abreu teria feito as acusações por ter perdido o comando da Anac.

A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), disse que vai reagir à eventual manobra da oposição de concentrar o debate apenas em Denise Abreu. Até à noite de ontem, apenas Denise e o ex-diretor da Anac Leur Lomanto haviam confirmado a presença na audiência pública.

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