Título: Vale vai captar até US$ 15 bi para investir
Autor: Ciarelli, Mônica; Tereza, Irany
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/06/2008, Negocios, p. B18
Empresa diz que recursos podem ser usados em `aquisições estratégicas¿
A Vale confirmou ontem que está de volta ao campo das aquisições. A empresa anunciou que pretende fazer uma captação de recursos, via emissão de ações, de até US$ 15 bilhões - valor abaixo dos US$ 30 bilhões cogitados pelo mercado na segunda-feira. De acordo com a empresa, os recursos serão usados para viabilizar seu crescimento orgânico e para ¿aquisições estratégicas¿. Segundo fontes, essa operação é apenas a primeira etapa de um plano da Vale para engordar seu caixa e, com isso, ter fôlego financeiro suficiente para comprar um ativo de peso no exterior.
A Vale, destacam, já teria alguns alvos na mira, como a produtora de cobre americana Freeport-McMoRan, a produtora de alumínio americana Alcoa e a gigante britânica Anglo American. Em nota, a mineradora brasileira negou estar envolvida atualmente em negociações para a compra de um ativo, mas deixou a porta aberta ao falar que os recursos captados podem ser utilizados em possíveis ¿aquisições estratégicas¿.
Observadores próximos revelam que a idéia da empresa é reforçar o caixa para evitar o problema enfrentado na época em que fez uma proposta pela anglo-suíça Xstrata. Apesar de ter negociado um empréstimo ponte de cerca de US$ 50 bilhões com um pool de oito bancos, a oferta da Vale ficou abaixo das exigências feitas pelos controladores da Xstrata.
Agora, a empresa quer montar uma estratégia que permita fazer uma oferta ainda mais agressiva. Além da venda de ações, a companhia lançaria mão de um novo empréstimo ponte e dos recursos obtidos com a venda da fatia na Usiminas e com a geração de caixa própria. Com esse reforço de caixa, a Vale não teria problemas para conseguir ganhar escala e chegar à liderança no ranking mundial das mineradoras.
ALVOS
O fato de a oferta de ações anunciada ontem ser menor do que os US$ 30 bilhões esperados pelo mercado reforçou as apostas de que o principal alvo de mineradora brasileira seria a Freeport-McMoRan, cujo valor está estimado em US$ 45 bilhões. ¿Para comprar a Anglo American, a emissão de ações da Vale teria de ser muito maior, mesmo considerando que parte importante de qualquer aquisição seja feita com dívida. A Anglo American seria uma operação de mais de US$ 100 bilhões, enquanto a Freeport não sairia por mais de US$ 50 bilhões¿, disse o analista Leonardo Alves, da Link Corretora.
A Alcoa, com porte similar ao da Freeport, é vista com ressalvas por analistas, por causa dos altos custos de energia para produção de alumínio e às incertezas implícitas nesse mercado por conta disso.
Uma fonte observou que a Vale não precisaria pagar toda a compra à vista. Poderia levantar os recursos necessários para cerca de 70% do negócio e o restante quitar com sua própria geração de caixa. ¿Essa seria uma opção para a empresa não se endividar ao ponto de perder seu grau de investimento¿, considerou.
Alves, da Link observou que o crescimento orgânico da Vale está concentrado no minério de ferro e que a empresa só conseguiria ter mais de 50% de sua produção em outras matérias-primas daqui a 5 anos, ou por meio de aquisições. ¿Os projetos `greenfield¿ não vão trazer a diversificação que a Vale almeja¿, diz. COLABORARAM CESAR BIANCONI e SILVIA ARAUJO
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