Título: Cassação de Lins fica sem relator
Autor: Rodrigues, Alexandre
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/06/2008, Nacional, p. A12
Deputada Aparecida Gama (PMDB) renunciou horas após ser escolhida
Diante da reticência de seus integrantes, o Conselho de Ética da Assembléia Legislativa do Rio teve que definir por sorteio um relator para o processo de cassação aberto contra o deputado Álvaro Lins (PMDB). E nem assim conseguiu: escolhida, Aparecida Gama (PMDB) não ficou no posto nem um dia.
A deputada aceitou a missão de manhã, dizendo que a condição de líder da bancada do PMDB, de que Lins faz parte, não afetaria seu trabalho e que seu mandato estava acima da liderança. À noite, mudou de idéia e renunciou.
Aparecida enviou ofício ao presidente do Conselho de Ética, Paulo Melo (PMDB), alegando impedimento para exercer a relatoria por conflito de interesses, justamente por ter Lins entre os liderados. De manhã, ela mostrara descontentamento por ter sido sorteada, mas não vira outros problemas e agradecera a Melo, que se ofereceu como sub-relator. ¿Foi uma escolha em sorteio, mas de muita responsabilidade. Tenho certeza de que, junto com o relator auxiliar, vamos fazer um trabalho sério, que dignifique o Parlamento.¿
Melo decidiu fazer o sorteio porque nenhum integrante do conselho quis ser relator. Cinco dos sete membros estavam na sessão que acolheu o parecer do corregedor, Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), a favor de abrir processo contra Lins. Ao perguntar se algum se oferecia para relatar o caso, teve como resposta um longo silêncio. Diante disso, a sessão foi suspensa e os deputados conversaram numa sala reservada, sem solução. Melo então depositou os nomes de todos em um envelope de papel e pediu a uma taquígrafa para sortear o relator.
O ESQUEMA
Alvo da Operação Segurança S.A., da Polícia Federal, Lins chegou a ser preso, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha armada. O delegado Alexandre Neto, que colaborou com as investigações e sofreu um atentado há menos de um ano, diz estar sob ameaça do grupo de policiais que, segundo a PF, loteava delegacias e cobrava propinas de empresários e bicheiros sob a liderança de Lins.
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