Título: Inflação preocupa Lula, diz Coutinho
Autor: Rehder, Marcelo
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/06/2008, Economia, p. B3

Presidente do BNDES reconhece que alta dos juros é inevitável, pois preços no País sofrem pressão vinda `de fora¿

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, admitiu ontem que o País vai passar por um período de sacrifício, se referindo ao aumento da taxa de juros básica (Selic). Segundo ele, a inflação tem preocupado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu ao governo todos os esforços para manter os aumentos de preços sob controle.

¿Estamos enfrentando uma pressão inflacionária transitória, que vem de fora, puxada pela alta do petróleo, dos metais e dos alimentos¿, disse Coutinho, durante congresso promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). ¿Podemos passar por um período de sacrifício, mas a manutenção da inflação sob controle é o cimento da confiança.¿

Apesar da alta dos juros, o presidente do BNDES afirmou que a base da política macroeconômica será mantida e o ciclo de crescimento da economia não será desarmado. Além disso, observou que a taxa de juros no médio e no longo prazos são cadentes no País.

Coutinho disse, ainda, que as perspectivas para o País, no momento, são muito positivas, por causa dos fundamentos macroeconômicos bem assentados. ¿Os mercados de crédito e de capitais têm grande potencial de expansão e mesmo a crise internacional não derrubou o mercado brasileiro.¿

Também presente ao evento, o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, ponderou que a política de juros altos é um dos poucos instrumentos disponíveis no momento para combater o processo inflacionário.

¿Pelas avaliações que estão sendo feitas não só pelo governo, mas também pelos institutos de pesquisas, indicando a possibilidade de um aumento da inflação nos próximos meses, eu imagino que a alta dos juros ainda deva ir até o fim do ano¿, disse o ministro.

Dentro do esforço para manter a inflação controlada, Jorge disse que o governo pode interferir para a redução dos preços dos fertilizantes, cuja alta contribui para a elevação dos preços dos alimentos. Segundo ele, as opções para tentar resolver o problema seriam o aumento das importações do produto com redução das alíquotas do Imposto de Importação.

Luciano Coutinho, do BNDES, convocou o setor produtivo para colaborar com o controle do processo inflacionário, por meio do aumento da produção e da oferta de produtos, tanto agrícolas como industriais. ¿Temos o Banco Central cuidando de um aspecto, e o setor produtivo precisa dar sua resposta para que a inflação não escape do controle.¿

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, chamou de ¿cômoda¿ a atual política de juros altos. ¿Talvez não seja a melhor solução para o País, porque a médio prazo pode trazer prejuízos.¿

Além de criticar a política de juros altos, Skaf reclamou da falta de discussão sobre o tema. ¿Parece que política econômica é algo sagrado, sobre a qual só uns poucos podem falar.¿

O presidente da Fiesp procurou deixar claro que não defende a volta da inflação, ponderando que é preciso ter cuidado com a política de juros, ainda mais no momento atual em que há sobrevalorização do real.

Skaf disse, ainda, que a política econômica está na contramão da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). ¿Há um desafinamento entre as políticas econômica e industrial¿, atacou o presidente da Fiesp.