Título: Novo grampo reforça suspeita contra Paulinho
Autor: Almeida, Roberto
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/06/2008, Nacional, p. A5
Segundo a PF, dois suspeitos no esquema do BNDES discutem `porcentuais¿ para deputado
Um grampo capturado no dia 23 de janeiro, durante as investigações da Operação Santa Tereza, é apontado pela Polícia Federal como novo elo entre o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, e a suposta organização criminosa que operava desvios de verba do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na gravação, dois dos réus da Santa Tereza discutem quem ¿é o chefe que define os porcentuais¿. Para os federais, ¿o chefe¿ é Paulinho.
A PF crava a informação ao cruzar o conteúdo da gravação com o interrogatório do coronel Wilson Consani Junior, realizado no dia 24 de abril. Na ocasião, afirmou: ¿Paulinho é nosso chefe maior.¿ Há quatro dias, Consani compareceu à Justiça Federal. Apesar de seu depoimento ter sido remarcado para o dia 23 de junho, reafirmou à imprensa: ¿O chefe é mesmo o Paulinho. É o tratamento que dávamos a ele.¿
Os réus pegos no grampo são Jamil Issa Filho - assessor do prefeito de Praia Grande (SP), Alberto Mourão (PSDB) - e o dono do prostíbulo WE Original, Manuel Fernandes de Bastos Filhos, o Maneco, até hoje foragido. Eles ainda não haviam sido tão fortemente ligados ao parlamentar. Contudo, para os federais, quando Maneco fala com Jamil a respeito da verba do BNDES para Praia Grande, o acusado está falando de Paulinho.
De acordo com a Polícia Federal, o deputado receberia R$ 256.547,13 pelo empréstimo de R$ 123 milhões do banco estatal à prefeitura paulista. O valor foi encontrado em planilha na sede da Progus Consultoria, empresa de Marcos Mantovani, também réu da Santa Tereza.
O advogado de Paulinho, Antonio Rosella, afirma que as acusações contra o deputado são absurdas e as citações a seu nome não significam que ele esteja envolvido no esquema do BNDES. O defensor critica ainda o que denomina de ¿grampolândia¿.
TRECHO DO GRAMPO
Jamil: ¿Escuta¿
Maneco: ¿Fala Jamil¿
Jamil: ¿O Beto comentou alguma coisa contigo?¿
Maneco: ¿O quê?¿
Jamil: ¿Ele foi lá pra liberar pra você¿
Maneco: ¿É que o Mourão deve ter mandado ele ir lá¿
Jamil: ¿Bom, e aí o Zé falou que era pra liberar 4%. De repente ele tá jogando¿
Maneco: ¿Certo¿
Jamil: ¿Ele tá jogando, entendeu?
Maneco: ¿Tá¿
Jamil: ¿E de repente ele não tá jogando e os caras estão querendo ainda ganhar um e meio¿
Maneco: ¿Ganhar um e meio de quem?¿
Jamil: ¿Hahaha, do chefe.¿
Maneco: ¿Mas o chefe é que tem que ter ligado avisando qual era o porcentual¿
Jamil: ¿É¿