Título: Preço de commodities é 'sério desafio', diz G-8
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Fonte: O Estado de São Paulo, 14/06/2008, Economia, p. B14
Reunião de ministros de Finanças, que termina hoje no Japão, alerta para a inflação global e seu impacto sobre o crescimento econômico
O comunicado conjunto dos ministros de Finanças do G-8, grupo que reúne os países mais industrializados e a Rússia, vai dizer que os custos elevados da commodities estão representando um ¿sério desafio¿ à economia global, uma vez que dão impulso às pressões inflacionárias e, assim, enfraquecem o crescimento econômico. A informação, veiculada pela agência Dow Jones, foi atribuída a uma fonte que pediu para não ser identificada.
Os ministros do G-8 iniciaram ontem em Osaka, no Japão, um encontro no qual a inflação é o grande tema das discussões. ¿Os preços elevados das commodities, especialmente de petróleo e alimentos, representam um sério desafio para um crescimento mundial estável... E podem aumentar a pressão inflacionária global¿, diz o rascunho do comunicado final do G-8.
¿Essas condições tornam nossas escolhas de política mais complicadas. Vamos permanecer vigilantes e continuaremos a tomar medidas apropriadas individualmente e coletivamente com objetivo de assegurar estabilidade e crescimento em nossas economias e globalmente¿, diz o texto.
Os ministros de Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá, Japão e Rússia continuam as discussões hoje. Estão no topo da agenda do encontro os preços elevados do petróleo e dos alimentos, que têm pressionado a inflação ao redor do mundo e provocado distúrbios em muitos países. O comunicado final do G-8 deverá ser divulgado hoje à tarde.
Analistas consideram o momento econômico global delicado. Além do barril de petróleo beirando os US$ 140 e os preços dos alimentos básicos em alta, eles destacam o rescaldo da crise das hipotecas de alto risco nos EUA (subprime) e a fraqueza do dólar ante o euro.
O anfitrião da reunião, o japonês Fukushiro Nukaga, disse, antes do encontro, que espera que os países do G8 ¿alcancem um entendimento comum¿ sobre como diminuir o risco de aumento dos preços de matérias-primas, já que isso é um problema para a economia mundial.
Ontem, houve um jantar conjunto dos oito ministros com representantes de Brasil, Austrália, Tailândia, China, Coréia do Sul e África do Sul, que transmitiram sua impressão sobre a situação econômica. Também houve vários encontros bilaterais entre os participantes.
Um desses encontros foi entre os representantes de Japão, EUA, Reino Unido e do Banco Mundial, que pediram aos países ricos para fornecer dinheiro ao fundo contra a mudança climática que essas três nações impulsionam, e para o qual querem reunir US$ 10 bilhões antes do fim de ano.
O objetivo é desenvolver energias limpas no mundo em desenvolvimento, mas, por enquanto, só foi obtido metade dos US$ 10 bilhões. O fundo seria administrado pelo Banco Mundial.
Outro encontro bilateral foi protagonizado pelo japonês Fukushiro e pelo secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, que analisaram a situação do dólar. Em declarações posteriores, eles disseram que é preciso observar minuciosamente a evolução dos mercados.
Recentemente, diversos funcionários americanos expressaram sua preocupação com a fraqueza do dólar, e Paulson sugeriu esta semana que os Estados Unidos poderiam intervir no mercado para estimular a cotação da divisa americana.
Essa reunião de ministros é uma das mais importantes organizadas pelo Japão durante sua presidência anual do G-8 e é considerada uma prévia da cúpula de líderes de Estado, que será realizada na ilha de Hokkaido entre 7 e 9 de julho.