Título: Nunca fiz intermediação de negócios, afirma Ramos
Autor: Reina, Eduardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/06/2008, Nacional, p. A14

Entrevista - José Ramos Pinto: empresário; O empresário José Amaro Pinto Ramos assume que trabalhou para a Alstom, mas diz que parou há oito anos.

O empresário José Amaro Pinto Ramos admite que trabalhou para a Alstom no Brasil, na elaboração de projetos para captação de crédito externo, mas nega a existência de propina. Em entrevista por e-mail, ele assumiu que organizou jantar nos EUA em que estiveram presentes FHC e o ex-diretor mundial da Alstom Jacques Cizain.

Como foi o seu trabalho para a Alstom no Brasil?

É preciso esclarecer que nunca fiz intermediação de negócios. Minha empresa, a Epcint, trabalhou para diversas empresas brasileiras, européias, japonesas, americanas e soviéticas. A Epcint foi contratada no início dos anos 90 pelo consórcio Mafersa/Villares, para estruturar um complexo crédito externo, que viabilizaria a produção nacional de trens para a Linha 2 do Metrô de São Paulo. Posteriormente, a Mafersa foi arrendada pela Alstom. Nesse período trabalhamos com a Alstom e vários de seus concorrentes. Com a evolução positiva do crédito brasileiro, esse tipo de operação deixou de ser interessante. Há oito anos não temos atividades nesta área, nem com a Alstom especificamente.

Como foi o jantar em Washington oferecido para FHC?

Após assistirmos à posse do presidente Bill Clinton, em janeiro de 1993, combinamos - naquele momento, sem pré-agendar - um jantar do qual participaram nosso amigo comum Sérgio Motta, o então ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique, o então diretor de Operações do BID, Paulo Renato, eu e nossas esposas. Ao nosso lado na cerimônia estava Jacques Cizain, meu conhecido, que foi convidado a se juntar a nós, num grupo que chegou a 14 ou 15 pessoas. Vale lembrar que Cizain conhecera Fernando Henrique em palestra no Medef, equivalente à Confederação Nacional da Indústria na França.

Como conheceu FHC?

Conheci o ex-presidente no tempo em que ele era professor da USP. Não o vi nem falei com ele em nenhum momento durante seus dois mandatos presidenciais.

O senhor foi investigado pelo FBI por ter intermediado empréstimo para um ex-secretário de Bill Clinton, Ron Brown?

Desconheço qualquer investigação do FBI sobre mim. Ron Brown era meu amigo. Eu o conheci fora do contexto de suas funções públicas, quando era um influente advogado nos EUA.