Título: Em convenção, Marta mira Serra e Kassab e deixa Alckmin de lado
Autor: Oliveira, Clarissa
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/06/2008, Nacional, p. A4
No início da campanha, ex-prefeita pretende explorar a comparação entre sua gestão e a dos sucessores
A ex-ministra Marta Suplicy encerrou ontem a temporada de convenções partidárias e oficializou sua candidatura à Prefeitura de São Paulo nas eleições de outubro. Numa cerimônia que custou R$ 85 mil, mas contou com poucas estrelas do partido, ela revelou o tom com que pretende abrir a campanha municipal, a partir do 6.
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Num discurso de cerca de 40 minutos, Marta fez duros ataques ao hoje governador José Serra (PSDB) e ao atual prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM). Mas citou uma única vez o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), considerado pelo próprio PT seu maior rival na disputa.
Serra, que comandou a prefeitura após derrotar Marta nas eleições de 2004, recebeu os golpes principalmente quando a petista falava sobre saúde. ¿Serra assumiu fazendo a praça de melhor ministro da Saúde, prometendo revolucionar o setor, e não teve um desempenho à altura do alarde que fez¿, disse Marta, que leu seu discurso de um teleprompter para cerca de 4 mil militantes e delegados, segundo a organização.
A ex-prefeita disse que o tucano não cumpriu promessas de campanha, como manter postos de saúde funcionando 24 horas por dia. ¿E olha que deixamos a casa toda arrumada para que a saúde, em São Paulo, alcançasse um novo patamar.¿
Ao lado dela no evento estavam vários deputados, vereadores e dirigentes estaduais e municipais de siglas que a apóiam - PC do B, PDT, PSB, PRB e PTN. Entre lideranças do PT, estavam os senadores Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy, além do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia.
Kassab, por sua vez, foi responsabilizado mais uma vez por Marta pela situação deixada pelo antecessor Celso Pitta. ¿Quando assumi, o sistema municipal de saúde estava em frangalhos, em crise técnica, operacional e moral. Foi a herança que nos deixou o governo Pitta-Kassab. Sim. Do mesmo modo como se fala na gestão Serra-Kassab, temos que falar da gestão Pitta-Kassab. Kassab foi da turma do Pitta, dando as cartas como secretário de Planejamento¿, afirmou a petista.
Ela voltou a jogar no colo de Kassab o fato de ter herdado escolas de lata do governo anterior. Somente então citou Alckmin, ao repetir a afirmação de que o tucano replicou o modelo em outras regiões do Estado. ¿Havia o absurdo das escolas de lata de Pitta e Kassab, que o então governador Geraldo Alckmin reproduziu em várias regiões do Estado.¿
Marta também declarou que Serra e Kassab não apresentaram ¿uma única proposta de planejamento urbano¿ em 2004. ¿E, com exceção do Cidade Limpa e da Ponte Estaiada, ambos iniciados em meu governo, não fizeram nenhuma outra intervenção de destaque¿, disse, numa referência ao Projeto Belezura de sua gestão e ao fato de ter iniciado as obras da ponte Octavio Frias de Oliveira.
Ainda ao comparar as gestões, Marta anunciou a intenção de elaborar um ¿macroprograma articulador de políticas de desenvolvimento¿. Sem detalhar a proposta, ela disse que montará uma ¿constelação de projetos¿ para incluir a população mais pobre, sustentar a ascensão social das camadas que deixaram a linha da pobreza e consolidar a classe média.
ESTRATÉGIA
Os ataques a Serra e Kassab tendem a guiar boa parte do discurso de Marta na etapa inicial da campanha, segundo aliados da ex-ministra. A idéia é aproveitar as primeiras semanas da corrida municipal para estabelecer a comparação entre a gestão da petista e a de seus sucessores. Marta governou a cidade entre 2001 e 2004, quando foi derrotada por Serra. Kassab assumiu em 2006, quando o hoje governador deixou o cargo para disputar a administração estadual.
Somente num segundo momento, ela tende a polarizar a disputa com Alckmin. Por enquanto, a direção do PT trabalha com a expectativa de ir ao segundo turno com o tucano.
No início da noite, assessores de Kassab informaram que o prefeito não foi localizado para comentar as declarações. A assessoria de Serra também não havia respondido à reportagem. Em nota, a assessoria de Alckmin disse que ¿a candidata do PT mente novamente e volta a desrespeitar a população da cidade de São Paulo¿. E diz que a rede estadual nunca teve escola de lata, mas escolas pré-fabricadas dentro de padrões técnicos de qualidade para atender uma situação de emergência, sobretudo em municípios do interior.
COLABOROU FERNANDA YONEYA